Atendendo à solicitação de moradores, comerciantes e lideranças locais, a vereadora Edir Sales apresentou o Projeto de Lei 727/2026, que prevê a criação e implantação da Subprefeitura do Tatuapé. A proposta busca aproximar a administração municipal da população e dar mais agilidade ao atendimento das demandas da região.
Segundo a parlamentar, o Tatuapé é uma região populosa, com características próprias e uma dinâmica comercial e de serviços que exige atenção específica. Uma subprefeitura própria permitiria acompanhar mais de perto as necessidades locais, como zeladoria, conservação de vias e manutenção de espaços públicos.
A iniciativa também busca contribuir para a eficiência da Subprefeitura Mooca, que poderá concentrar seus esforços no atendimento aos demais bairros sob sua responsabilidade. “Queremos uma gestão mais próxima dos moradores e mais eficiente nas duas regiões. Essa proposta nasce da escuta da população e do compromisso com a melhoria dos serviços públicos”, afirma Edir Sales.
DEMANDA ANTIGA
A criação de uma subprefeitura no bairro do Tatuapé é tema recorrente na Câmara Municipal. Há 22 anos, o falecido vereador Toninho Paiva encaminhou a proposta do PL 01-0389/2004, que, embora tenha recebido parecer favorável das comissões da Câmara Municipal – Constituição e Justiça; Política Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente; Administração Pública; e Finanças e Orçamento -, nunca saiu do papel.
Em 2024, o então vereador Gilson Barreto apresentou, durante uma reunião ordinária da Comissão Permanente de Administração Pública, realizada no Plenário 1º de Maio, o Projeto de Lei 561/24, que instituía a repartição no bairro. De acordo com Barreto, a nova instância administrativa proporcionaria um diálogo direto entre o governo e a população, um modelo de gestão urbana que permitiria diagnósticos precisos e aumentaria a capacidade de resposta aos problemas da região. “Como sede local da Administração com poder de decisão, a Subprefeitura Tatuapé não só terá mais condições de entender a rotina como de priorizar o atendimento das demandas da região com base em estudos realistas e em uma maior aproximação com a comunidade”, dizia a justificativa do edil.
SOBRECARGA
Hoje, a Subprefeitura Mooca abrange uma área de 35,2 quilômetros quadrados e compreende os distritos de Água Rasa, Belém, Brás, Mooca, Pari e Tatuapé, onde residem cerca de 400 mil pessoas. O próprio subprefeito da Mooca, coronel Valmor Racorti, entende que os desafios impostos pelo conjunto dessas regiões, com destaque para as demandas do Brás, por exemplo, sobrecarregam a Prefeitura com demandas que muitas vezes não conseguem ser atendidas no prazo esperado.
Para Jair Morandi, um dos coordenadores do Movimento “Eu Amo Tatuapé”, a necessidade de uma subprefeitura própria para o bairro é mais do que patente. Entre outras coisas, Morandi destaca que o Tatuapé é um dos únicos bairros de São Paulo que tem duas estações do Metrô, por onde circulam diariamente mais de 230 mil pessoas. Segundo ele, as universidades da região somam mais de 120 mil alunos. Dessa forma, ele defende que “um dos objetivos do grupo de líderes é transformar o Tatuapé em um bairro modelo para atender bem não só sua população, mas também aquelas pessoas que aqui frequentam”.
NÚCLEO DE INTERLOCUÇÃO TERRITORIAL
Enquanto a nova subprefeitura não sai do papel, Guilherme Gonzalez, presidente do Conseg Tatuapé e assessor da Casa Civil da Prefeitura, propõe a instituição do Núcleo de Interlocução Governamental e Gestão Territorial do Tatuapé e Anália Franco, “estruturado como um fórum de coordenação intersetorial e articulação territorial no âmbito da Prefeitura de São Paulo, em conformidade com as diretrizes e competências estabelecidas pelos Decretos Municipais nº 65.059/2026 e nº 65.089/2026”, destaca.
Segundo ele, esse modelo visa atender, de forma ágil e estruturada, a população local enquanto não se viabiliza a implementação de uma subprefeitura exclusiva na região. Trata-se de uma alternativa inteligente de transição: em vez de aguardar uma alteração estrutural profunda, a Prefeitura institui um arranjo de governança integrada que reúne as duas subprefeituras e os órgãos setoriais em uma mesma mesa de planejamento, resolvendo gargalos reais de maneira preventiva e baseada em metas.



