Lodradouros do Tatuapé – Letra ‘F’

RUA FELIPE CAMARÃO
Lei nº 554 – 3 de março de 1913.
● Localização: começa na Avenida Celso Garcia e termina na Rua Catiguá.
● Denominação anterior: Rua Brasil.
● Histórico: O mais provável é que o índio Poti, que mais tarde chamar-se-ia Felipe Camarão, tenha nascido no Rio Grande do Norte, em 1580. Em 1614, era chefe da tribo dos potigua­res. Conta-se que fez, a pé, a viagem do Rio Grande do Norte ao Maranhão para tomar parte na conquista desse estado por Gerônimo de Albuquerque. Casou-se com Clara Camarão, a índia heroína que passou à história ao lado do seu esposo.

Em 1630, ajudou a defender Olinda por ocasião da invasão dos holandeses. Em 1636, próximo a Porto Calvo, tendo o general d. Luiz de Rosas y Borja perdido a batalha de Mata Redonda, ao lado do capitão Rebelo, salva o exército per­nambucano da completa destruição. No mesmo ano comandou uma expedição de 300 índios, sob o comando do general Bagnuolo, na qual figurava o bravo Henrique Dias à frente de alguns negros. Alarmado com a bravura do índio, o governo de Pernambuco man­dou contra ele o general Artisho­fski. Travou-se renhida batalha e, mais uma vez, Camarão saiu vitorioso. Em 18 de fevereiro de 1637, novamente nas vizinhanças de Porto Calvo, desenrola-se encarniçado combate. Cinco mil holandeses eram comandados pelo próprio Mauricio de Nassau. Nessa refrega, Camarão e sua esposa bateram-se heroicamente, mas tiveram que sair em retirada. Em 1638, Camarão comanda uma guerrilha na Torre de Garcia d’Avila, na Ba­hia, dispersando os holandeses. Toma parte na defesa de São Salvador, que estava sitiada e atacada por Mauricio de Nassau.

O intrépido Felipe Camarão seguiu pelejando em diversas frentes até a época do ar­mistício, que seguiu à restauração de Portugal em 1640. Em 1645, marchou com seus comandados para auxiliar na insurreição pernam­bucana. Em 1648 cobria-se de glória ao lado de Vieira e Vidal de Negreiros. Na época, era chefe da ala direita do exército dos independentes na batalha de Guararapes, quando o general Van Schoppe,  à frente dos seus comandados, foi derrotado. Nesse mesmo ano, vitimado por uma febre maligna, morre Felipe Camarão no arraial do Bom Jesus. Seu corpo foi sepultado na capela desse mesmo local. Pelos seus relevantes serviços em defesa da coroa, o rei Felipe de Espanha e Portugal agraciou-o com o hábito de Cristo e com o título de Dom.

RUA FERNANDES PINHEIRO
Ato nº 2.882 – 1928.
● Localização: começa na Rua Me­lo Freire e termina na Rua Tijuco Preto.
● Denominação anterior: Rua IV.
● Histórico: José Feliciano Fernan­des Pinheiro, Visconde de São Leopol­do, nasceu em Santos, em 9 de maio de 1774. Desde muito jovem revelou-se apaixonado pelos estudos. Em  Coim­bra, em 1798, com 24 anos, obteve o grau de bacharel. Estudou direito canônico, mas não seguiu a carreira eclesiástica, pois sua vocação estava voltada para a magistratura. Exerceu, por três anos, a profissão em Lisboa. Em 1801, protegido por seu parente, Diogo Lara e Ordonhes, é nomeado juiz das Alfândegas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. No entanto, essas alfândegas deveriam ser ainda criadas. Somente em 1804 conseguiria criar a de Porto Alegre. Instituída na mesma época a Junta da Fazenda, foi nomeado procurador da Coroa. Ao mesmo tempo ocupava os cargos de juiz conservador dos contratos do quinto e do dízimo e inspetor do papel selado. Uma grande amizade o ligou ao chefe de esquadra José da Silva Gama, que viria a ser depois barão de Bagé, que governava o Rio Grande do Sul. Fernandes Pinheiro, pela cultura e tato administrativo, tornou-se um conselheiro para o barão de Bagé. Sua fama de homem probo e prudente, fez com que o sucessor do barão de Bagé o indicasse para auditor geral das tropas pacificadoras na campanha de 1811-1812. No exercício dessa função, teve a oportunidade de conhecer grandes áreas do Rio Grande e de colher inúmeros documentos  para a sua conhecida obra: anais da província de São Pedro. Em 1821, por ser um dos mais ilustres homens do Rio Grande, foi designado deputado às cortes portuguesas, como representante do seu estado e de São Paulo. Por seu desempenho nas Cortes sofreu duras críticas. Após a Independência do Brasil, foi eleito deputado à Assembléia Constituinte pelas duas províncias, tendo optado pela de São Paulo. Ainda, uma vez mais, teve de enfrentar grandes contrariedades. Pouco depois, volta para o Rio Grande como seu primeiro presidente. Na função, desenvolveu um programa brilhante. Fundou a colônia de São Leopoldo, foi o primeiro provedor da Casa de Caridade de Porto Alegre e organizou a primeira tipografia da província. Foi também um dos fundadores do Instituto Histórico Brasileiro e seu primeiro presidente. “Os Anais” é sua obra mais famosa e de mais prestígio.

RUA FRANCISCO MARENGO
Ato nº 972 – 1916
● Localização: começa na Rua Melo Freire e termina na Rua Emília Ma­rengo
● Histórico: Francisco Marengo nasceu em Piemonte, Itália, em 1875. Chegou ao Brasil, em 1884, com nove anos, em companhia dos seus pais. Seu pai, conhecedor de técnicas de viticultura, trabalhou na chácara do Dr. Luís Pereira Barreto, localizada na atual Avenida Rio Branco. A melhora na qualidade das uvas conseguida por eles foi fantástica. Logo eram conhecidas em toda São Paulo. Mais tarde, devido ter se tornado pequena a propriedade do médico, separaram-se. O Dr. Barreto comprou terras em Pirituba, Benedito comprou uma gleba de 24 m2., no Tatuapé.  As terras ficavam limitadas pelas atuais ruas Serra de Bragança, Cantagalo, Monte Serrat e Francisco Marengo. Em 1889, Benedito mandou vir dos Estados Unidos um lote de uvas Niagara. Essa qualidade de uvas adaptou-se muito bem ao solo e clima das terras brasileiras, tornando a chácara Marengo conhecida nacionalmente.

Em 1897, com 49 anos, morre o extraordinário pioneiro. Toma o seu lugar à frente da família e da propriedade Francisco, com 22 anos na época. Com ele, a chácara Marengo continuou a crescer, logo tornando-se pequena. Era necessário adquirir mais terras. A propriedade foi ampliada com a compra de um terreno de 96m2., no local onde atualmente se encontra o Hospital Municipal do Tatuapé. Em pouco tempo, a chácara Marengo distribuía seus frutos por todo o território brasileiro.

Francisco demonstrou ser o homem talhado para comandar o empreendimento. Seu desempenho trouxe-lhe, por parte dos cidadãos e das autoridades, reconhecimento ainda em vida. Entre os prêmios e medalhas de ouro e prata  recebidos, destacam-se os conquistados nos seguintes eventos: Exposição de 1906, da Secretária da Agricultura de S. Paulo;  Exposição Nacional de 1908; Exposição de Frutas de 1909; Exposição Internacional da Indústria, Alimentação e Higiene, Gênova, em 1914; Exposição de Frutas do Rio de janeiro, 1916; Exposição-Feira, Rio de Janeiro, 1917. Em 1915, foi nomeado membro de honra di júri e condecorado com a Grande Cruz, na Exposição Internacional de Milão. Em 1932, foi contemplado com a Grande Cruz de Prata, oferecida pelo Governo do Estado de São Paulo ao melhor cultivador de uvas do Brasil. Em 1924, o Instituto Agrícola Brasileiro lhe conferiu Diploma Honorífico e medalha de ouro. Para fechar com chave de ouro tantos títulos recebidos, surgiu em 1930, aquele que seria seu maior orgulho: foi-lhe conferido o título de Cavalheiro da Coroa Italiana, pelo rei Vit­torio Emanuele III, em reconhecimento pelo muito que fez pelo nome de sua pátria de origem no Exterior.

Francisco foi casado com Emília Regi­rozzi Maren­- go e teve três ­filhos: Cesar,  Amélia e Adé­lia. Com sua morte, em 2 de maio de 1959, Cesar passou a administrar a chácara. Com o avanço do progresso e a especulação imobiliária, a família Marengo adquiriu uma fazenda em Su­zano, onde, até os dias atuais, desenvolvem seu magnífico empreendimento.

RUA FRANCISCO ZICCARDI
Decreto nº 8.278 / 1 de julho de 1969.
● Localização: Jardim Anália Franco. Começa na Rua Alonso Calha­mares e termina na Avenida Regente Feijó.
● Denominação antiga: Rua Dois.
● Histórico: Ziccardi nasceu em Busso, Província de Campobasso, Itália, em 27 de janeiro de 1875. Chegou ao Brasil em 3 de abril de 1898. Trabalhou 12 anos nas propriedades da família Marengo. Com isso aprimorou os conhecimentos de viticultura trazidos de sua terra. A seguir, comprou uma gleba de terra no Tatuapé e nela desenvolveu seu vinhedo. Vendia praticamente toda sua produção para a cidade de Santos. O embarque era feito pela Estação do Norte (atual Estação Roosevelt). Mais tarde, devido a diversas geadas, Ziccardi  abandonou o plantio de uvas e se dedicou à produção de leite.

Além das habituais tarefas, Ziccardi contribuiu para a edificação da primeira capela de Nossa Senhora do Bom Parto. Além da coleta de materiais, junto com outros, ajudou fisicamente nos trabalhos da obra. Foi um dos fundadores e presidente da Irmandade de São Vicente de Paulo. Foi também um dos responsáveis pela implantação da primeira linha de ônibus do bairro.

Francisco Ziccardi foi casado com Cecília Camardo, irmã de Antonio Camardo, outro pioneiro do Tatuapé, e com ela teve  sete filhos: Nicola An­tonio, João, Carmela, Adelina, Cris­tina e Ivo. Faleceu em 8 de maio de 1967.

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