Cultura e consciência negra

Sr. redator:
“Na quinta-feira, 20, São Paulo, com feriado municipal instituído em 2004, celebrou o Dia da Consciência Negra, consagrado por representantes e lideranças do movimento negro brasileiro como o data de homenagem a Zumbi dos Palmares (1655-1695) e os ideais de liberdade que simbolicamente o líder negro representa ainda hoje.

Este feriado fortalece o debate em relação a temas ligados à população afrodescendente e impulsiona ações que mostram o quanto é importante lutarmos para derrubar a barreira do preconceito de raça. Nesse sentido, vale lembrar que a desinformação ainda é uma das bases que sustentam a discriminação racial. Uma das formas de combater a desinformação é incentivar e promover atividades culturais.

Embora a cultura afro-brasileira seja conhecida mais comumente por suas manifestações tradicionais – o afoxé, o candomblé, o samba, dentre outras – ela se apresenta de maneira fortíssima também em formas de expressão muito contemporâneas e cosmopolitas, a exemplo do hip hop.

Esta manifestação essencialmente urbana e jovem agrega não só a música e a dança, mas também o grafite, no campo das artes visuais.

Foi com um olhar permanente e cuidadoso sobre a diversidade, sobretudo na grande e rica produção cultural da periferia de São Paulo e também no pequeno produtor cultural, que em 2013 propus o Projeto de Lei criando o Programa Municipal de Apoio a Projetos Culturais  (Pro-Mac), transformado em lei após a sanção do prefeito Fernando Haddad no final de dezembro. Inspirei-me no ProAC, iniciativa que conduzi com sucesso quando estive à frente da Secretaria de Estado da Cultura no governo José Serra.

Criado para apoiar a produção artística independente com recursos governamentais, o ProAC promove em seus editais tanto o apoio às culturas tradicionais, em que se inclui as comunidades quilombolas, quanto o incentivo às práticas contemporâneas, como o hip hop.

O Pro-Mac traz esse conceito, para a cidade de São Paulo, de forma específica. Para que esse programa se torne realidade é preciso apenas que o prefeito Fernando Haddad publique decreto de regulamentação da lei.

Com o Pro-Mac de fato ativo, as Casas de Cultura, que agora deixam de ser geridas pelas subprefeituras e passam a ser de responsabilidade direta da Secretaria de Cultura, seriam potencializadas, com a possibilidade de receberem projetos financiados pela nova lei de incentivo cultural.

É sempre oportuno lembrar que a cultura tem um inegável poder de transformação. Por meio dela, novos ideais e comportamentos surgem e se modificam fazendo evoluir as relações sociais. Junto com outros fatores, como educação e organização política, a cultura colabora para a construção e fortalecimento da identidade de uma população.”

Andrea Matarazzo

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