O Tatuapé é um dos bairros mais dinâmicos de São Paulo. Temos universidades, bares, restaurantes, comércio forte, moradores antigos e novos empreendimentos convivendo em uma mesma região. Essa vitalidade é positiva para a cidade, gera empregos, movimenta a economia e torna o bairro atrativo. Mas ela também exige responsabilidade e respeito às regras de convivência.
Nas últimas semanas, temos acompanhado reclamações de moradores relacionadas principalmente às noites de quinta e sexta-feira, envolvendo som excessivo, grandes aglomerações no entorno de bares e estabelecimentos frequentados por jovens e universitários e, em algumas situações, ocupação irregular das calçadas e até das vias públicas.
A Subprefeitura Mooca não está indiferente ao problema. Temos realizado ações de fiscalização e operações integradas com os órgãos de segurança e demais setores da Prefeitura. E há uma constatação importante: quando o Poder Público está presente de maneira ostensiva, as ocorrências diminuem significativamente. Isso demonstra que as ações produzem resultado.
Por outro lado, uma cidade da dimensão de São Paulo possui inúmeros pontos que exigem simultaneamente a presença da Polícia Militar, Guarda Civil Metropolitana, fiscalização municipal e demais serviços públicos. Não seria responsável prometer aos moradores a manutenção permanente de equipes em uma única rua, bar ou região todas as quintas e sextas-feiras. Precisamos construir uma solução que continue funcionando mesmo quando não houver uma viatura ou um fiscal parado na porta do estabelecimento.
Por essa razão, estamos propondo uma reunião integrada envolvendo a Subprefeitura, Polícia Militar, Guarda Civil Metropolitana, estabelecimentos comerciais, universidade, representantes dos condomínios e moradores.
Nossa intenção é estabelecer responsabilidades e compromissos objetivos. Os bares precisam cumprir rigorosamente as regras relativas ao som, ocupação do espaço público e funcionamento. A universidade pode exercer importante papel de conscientização junto aos seus alunos. Os condomínios e moradores podem contribuir indicando locais, dias e horários de maior incidência. E o Poder Público continuará fiscalizando e atuando, especialmente sobre os estabelecimentos e situações reincidentes.
Não queremos impedir a vida noturna do Tatuapé, prejudicar comerciantes ou restringir a convivência dos jovens. Queremos estabelecer um limite muito simples: o direito de se divertir não pode eliminar o direito de quem mora no bairro descansar.
Nosso objetivo é substituir uma lógica baseada exclusivamente em operações emergenciais por um trabalho permanente de prevenção, fiscalização, inteligência, responsabilização e diálogo.
Uma cidade organizada não é aquela que precisa colocar um agente público em cada esquina para que as regras sejam cumpridas. É aquela em que comerciantes, frequentadores, instituições, moradores e Poder Público compreendem que o espaço urbano pertence a todos.
O Tatuapé pode continuar sendo um bairro vivo, universitário, gastronômico e economicamente forte — mas desenvolvimento e diversão precisam caminhar ao lado do respeito, da ordem urbana e da qualidade de vida de quem escolheu o bairro para viver.
Valmor Racorti
Subprefeito da Mooca

