A cidade de São Paulo registra um avanço histórico na saúde pública: entre 2022 e 2025, a capital reduziu em quase 23% o número de casos de sífilis congênita (transmitida da mãe para o bebê). Com isso, o índice no município é de 6,1 casos por mil nascidos vivos — valor significativamente inferior à média nacional de 2024, de 9,6. Sem tratamento, a sífilis congênita, que ocorre quando a bactéria Treponema pallidum passa da gestante para o feto, tem consequências severas: pode causar aborto, má formação, cegueira, surdez e óbito neonatal. No entanto, a transmissão é 100% evitável. O tratamento é simples, gratuito e feito com penicilina benzatina (benzetacil) nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Se a gestante e seu parceiro forem tratados corretamente durante o pré-natal, o bebê nasce saudável.
A queda expressiva na capital — que passou de 976 casos em 2022 para 749 em 2025 — é fruto do Plano Municipal de Enfrentamento à Sífilis Congênita. Enquanto o Ministério da Saúde estabelece uma meta de redução de 5% ao ano, São Paulo superou as expectativas, garantindo que o direito ao nascimento seguro seja prioridade. O resultado é reflexo de uma integração inédita entre vigilância e atenção básica, já que o sistema municipal de saúde não está apenas tratando a doença, mas também buscando a gestante e seu parceiro precocemente. O diferencial da capital paulista está na descentralização e no monitoramento rigoroso: em 2025, a Prefeitura premiou 46 unidades de saúde com selos Ouro, Prata e Bronze, incentivando a excelência no atendimento. Unidades com menos de 2,5 casos por mil nascidos vivos recebem a graduação máxima. A rede municipal intensificou a busca ativa pelos parceiros sexuais, fator crucial para evitar a reinfecção da gestante — a maior causa de falha no tratamento. A Prefeitura disponibiliza testes rápidos e tratamento em todas as UBSs, Centros de Testagem e Aconselhamento (CTAs) e Serviços de Atenção Especializada (SAEs).

