No Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro, uma pesquisa nacional divulgada em 2026 pelo Instituto Casagrande Social revela a dimensão da jornada invisível dos docentes brasileiros. Entre os 7.246 professores da Educação Básica ouvidos nas redes pública e privada, 76,5% afirmam trabalhar regularmente fora da jornada contratada. Além disso, 71,3% perceberam aumento das responsabilidades profissionais nos últimos anos e 68,9% relatam dificuldade de se desligar mentalmente do trabalho.
Planejamento de aulas, preparação de materiais, correção de atividades, registros, atendimento às famílias e acompanhamento individual dos estudantes avançam sobre noites, fins de semana e períodos de descanso. Para o professor doutor Renato Casagrande, presidente do Instituto, esses dados evidenciam uma rotina que a sociedade raramente vê. “Existe uma jornada invisível, formada por atividades indispensáveis para que o ensino aconteça”, afirma.
A pesquisa mostra também que novas demandas passaram a ocupar espaço crescente no cotidiano docente, como inclusão, saúde emocional dos estudantes, conflitos escolares, uso de tecnologia e comunicação com as famílias. Para Casagrande, discutir apenas a quantidade de aulas dadas é insuficiente: é preciso avaliar se a organização do trabalho acompanhou o aumento das responsabilidades.
O Instituto defende medidas práticas para reduzir a extensão recorrente do trabalho para além do expediente, como tempo protegido para planejamento, limites para solicitações fora do horário, revisão de processos burocráticos, fortalecimento de equipes de apoio e tecnologias que reduzam tarefas repetitivas. Para Casagrande, valorização docente envolve salário e carreira, mas também tempo, estrutura e condições reais de trabalho. Os dados mostram uma profissão em que as fronteiras entre vida pessoal e profissional estão cada vez menos claras.


