A chegada dos primeiros medicamentos genéricos à base de semaglutida ao mercado brasileiro marca uma das mudanças mais importantes no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2 nos últimos anos. Após o fim da patente da molécula, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o primeiro genérico da substância, além de novas versões sintéticas e similares, abrindo espaço para maior concorrência e redução de preços. A expectativa é de que os genéricos custem pelo menos 35% menos que as versões atualmente comercializadas.
Na avaliação da a médica nutróloga Giovanna Spagnuolo Brunello, a principal consequência dessa mudança é tornar um tratamento altamente eficaz acessível a pacientes que realmente possuem indicação clínica. Segundo a especialista, a semaglutida é indicada principalmente para pessoas com obesidade ou sobrepeso associado a doenças como diabetes, hipertensão, apneia do sono e outras comorbidades, sempre mediante avaliação médica. Ela ressalta que o medicamento não substitui mudanças de hábitos, mas funciona como uma ferramenta importante dentro de um tratamento multidisciplinar. “Nenhuma caneta emagrecedora faz milagre sozinha. O sucesso depende de alimentação adequada, atividade física, sono e acompanhamento profissional.”
MERCADO PARALELO
Outro impacto esperado é a diminuição da procura por medicamentos adquiridos no mercado paralelo, especialmente à base de tirzepartida, produtos trazidos ilegalmente de países vizinhos ou vendidos pela internet sem qualquer garantia de procedência.
CONCORRÊNCIA
A concorrência também deve provocar um movimento de queda nos preços de outras marcas disponíveis no País. Desde o vencimento da patente, diversos laboratórios passaram a desenvolver versões da semaglutida e a própria Anvisa acelerou a análise de novos registros para ampliar a oferta de medicamentos com o mesmo princípio ativo.

