Dois anos depois do Ministério Público ter impedido, por meio de uma ação na Justiça, que o Corinthians permanecesse utilizando uma área pública que está em frente à sede social do clube, na Rua São Jorge, 777, na lateral da Avenida Condessa Elizabeth Robiano, nenhum tipo de encaminhamento foi dado ao terreno. A Prefeitura, que havia proposto reaver a situação do trânsito local, na época, além de ter pensado em estudos para o sistema Zona Azul, abandonou o espaço.
Por outro lado, a administração do “Timão” seguiu utilizando o lugar de maneira alternativa, porém precária. Isso porque, anteriormente, havia empresa contratada, guarita e cancelas para controlar os acessos de sócios. A reportagem chegou a procurar o Departamento Jurídico do Corinthians, mas, até o fechamento desta edição não obteve resposta sobre as negociações com o município.
Atualmente, quem quiser pode parar em frente à sede. Entretanto, cada motorista fica por sua conta e risco, seja de furtos ou roubos. Em janeiro deste ano, o prefeito Bruno Covas chegou a sancionar a lei que concede o trecho da rua ao clube novamente, porém não perdoou a dívida de pelo menos R$ 22 milhões. Na Câmara Municipal, um projeto de lei tenta conceder anistia das dívidas de IPTU a todos os clubes de futebol de São Paulo. O perdão ultrapassa os R$ 200 milhões.
HISTÓRICO
Em 2019 o Ministério Público do Estado entrou na Justiça com uma ação civil pública alegando que o terreno, por ser de uso municipal, era de interesse da coletividade e não de particulares do clube.
Na época, a Justiça de São Paulo declarou nulo um decreto da Prefeitura que cedia a título precário e gratuito a área de 35 mil m² ao Corinthians. Com a anulação do decreto, de 1991, o clube teria de pagar à Prefeitura o valor correspondente aos aluguéis dos últimos 28 anos: desde o ano da edição do decreto até a efetiva desocupação da área.
A área, que é pública, foi alvo de disputa entre a Prefeitura e o Corinthians durante 10 anos – de 1981, quando o time ocupou os terrenos, até 1991, quando, em um acordo, a Prefeitura fez o decreto, cedendo as áreas do município para o clube usar.


