Estão abertas até o dia 27 de julho as inscrições para a edição 2026 do Programa Memorabilia, iniciativa do Arquivo Histórico Municipal, vinculado à Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa da Prefeitura de São Paulo, que convida moradores e visitantes a registrar memórias sobre ruas, avenidas, praças, vielas, parques e outros logradouros da capital.
O concurso busca ampliar, de forma colaborativa, o acervo do Dicionário de Ruas, plataforma que reúne informações sobre a história dos logradouros paulistanos. Além de integrarem esse patrimônio documental, os trabalhos selecionados concorrem a premiações em dinheiro.
Serão premiados os primeiros colocados das modalidades Memória Escrita e Memória Visual em cada uma das cinco regiões da cidade — Norte, Sul, Leste, Oeste e Centro, com R$ 2 mil. Também receberão R$ 1 mil os segundos colocados das modalidades escrita e visual das zonas Norte, Sul e Leste.
O Programa Memorabilia foi criado para fortalecer a memória urbana dos territórios e ampliar a presença de narrativas produzidas pela própria população sobre a cidade. A iniciativa parte do entendimento de que a história de São Paulo também é construída pelas experiências cotidianas de seus moradores, muitas vezes ausentes dos registros oficiais.
No Dicionário de Ruas, grande parte das informações disponíveis refere-se aos homenageados das vias da região central. Em bairros periféricos, entretanto, ainda há lacunas sobre a origem dos nomes dos logradouros e sobre as histórias que esses espaços abrigam. O programa busca reduzir essa desigualdade documental ao incentivar o envio de relatos e imagens que revelem diferentes perspectivas sobre a cidade.
Também pretende ampliar a representatividade das memórias preservadas, valorizando experiências de trabalhadores, população negra e parda, povos indígenas, pessoas LGBTQIAPN+, migrantes, imigrantes, pessoas com deficiência e demais grupos historicamente pouco representados nos registros tradicionais.
As pessoas participantes podem entre três tipos de forma de escrita:
Relato: texto autoral e flexível, sem necessidade de referências bibliográficas. O texto pode partir de vivências pessoais, testemunhos, memórias afetivas, entrevistas, conversas com moradoras e moradores antigos ou reflexões construídas fora do espaço acadêmico. A pessoa autora pode contar uma história, descrever experiências, refletir sobre um tema ou misturar essas formas. O texto pode seguir ou não uma ordem cronológica e pode adotar um tom mais pessoal, subjetivo ou descritivo, desde que esteja relacionado às ruas da cidade de São Paulo e às memórias ali construídas.
Texto acadêmico: formato indicado para propostas que adotem uma abordagem analítica e teórica. Exige pesquisa, organização argumentativa e uso de referências bibliográficas. O texto deve dialogar com conceitos, autores ou autoras e contribuir para a reflexão sobre as ruas de São Paulo, suas memórias e dimensões sociais, históricas ou culturais. É possível enviar algum pronto, que já tenha sido publicado e trechos de alguma pesquisa acadêmica sua.
Poesia: permite uma abordagem mais lírica e artística das memórias. Os participantes podem utilizar versos, rimas e figuras de linguagem para evocar emoções e retratar suas vivências nas ruas de São Paulo de maneira sensível e criativa.
Já quem optar por participar da categoria imagem deve ser autor da criação. Além disso, imagens produzidas à mão e fora do meio digital (tais como desenhos ou colagens) devem ser digitalizadas em alta resolução através de scanner ou fotografia. Todas as imagens inscritas na modalidade visual devem vir acompanhadas de legendas explicativas, que forneçam elementos que auxiliam na avaliação da composição visual enviada.
Também não é aconselhado o uso de Inteligência Artificial Generativa na criação de textos e/ou imagens, sem vínculo com processos autorais ou vivências reais.
Nas edições anteriores, o programa reuniu trabalhos sobre vias como a Rua Doutor Oscar Tollens, a Rua Arlindo Fraga de Oliveira, a Rua Alberto Pires e a Rua Professor Cosme Deodato Tadeu, demonstrando como as experiências individuais ajudam a compor a memória coletiva da capital.
Reconhecimento internacional
Reconhecido nacional e internacionalmente, o Memorabilia foi contemplado em 2023 pelo concurso “Ações e exibições para decolonizar práticas de museus”, promovido pela Fundación Typa e Wikimedia Argentina, e foi semifinalista do Premia Sampa 2024.
O edital de 2026 foi elaborado em Linguagem Simples e recebeu o Selo Municipal de Linguagem Simples da Prefeitura de São Paulo, iniciativa que busca tornar as informações públicas mais acessíveis para toda a população.
Programa
Memorabilia 2026
Inscrições: até 27 de julho.
Quem pode participar: moradores e visitantes da cidade de São Paulo.
Modalidades:
Memória Escrita;
Memória Visual.
Premiação:
R$ 2.000 para os primeiros colocados das modalidades escrita e visual em cada região da cidade;
R$ 1.000 para os segundos colocados das modalidades escrita e visual das zonas Norte, Sul e Leste.
Informações, edital, manual e inscrições:
https://dicionarioderuas.prefeitura.sp.gov.br/memorabilia
Contato: memoriaurbana.ahm@prefeitura.sp.gov

