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Home Blogs / Colunas Opinião

Há prisão, mas falta aprendizado

10/11/2012
emOpinião
Reading Time: 3 mins read
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O que acontece com nossos legisladores com relação à segurança de São Paulo? Ouvimos juristas e especialistas falarem todos os dias que as leis de nosso código são arcaicas e nosso modelo prisional está ultrapassado. Mesmo assim, não dá para ver um grande movimento dos deputados estaduais propondo grandes mudanças. Notamos apenas medidas tímidas e burocráticas que não interrompem o modelo atual para o início de algo novo.

Enquanto isso, analistas falam de uma guerra surda que vem causando diversas mortes e tem tornado a facção criminosa existente em São Paulo mais ativa. Na semana passada, o governador Alckmin decidiu aceitar a proposta da União de transferir presos de alta periculosidade para presídios federais. Com isso, pretende-se minar a comunicação entre os líderes e seus comandados aqui fora.

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Mesmo assim, a situação ainda é crítica e alguns fatos tornam muitas pessoas incrédulas de que algo irá mudar. Um deles, por exemplo, mostra que não há presos trabalhando em obras de construção civil chefiadas pelas secretarias estaduais. Seja como servente, pedreiro, ajudante de serviços gerais, ou até mesmo mestre de obras. Não se vê estes homens, punidos por algum tipo de crime, atrelados ao cumprimento de cargas horárias ou assumindo responsabilidades que lhes dariam a oportunidade de se aproximar mais da ressocialização.

A sociedade questiona o Estado, e tem razão disso, por saber que determinados presos entram no sistema, mas seguem recebendo certas regalias que na verdade não deveriam ter direito. Se elas são ilegais ou não, cabe a policia investigar. Porém, quem está do lado de fora não entende um dito criminoso falando ao celular, fazendo churrasco, participando de redes sociais, recebendo namoradas, entre outros mimos.

Mesmo diante disso, ainda não foram aprovadas leis que coloquem os presos como uma mão-de-obra disponível e muitas vezes disposta a realizar. Nos últimos oito anos, por exemplo, quantas estradas novas nosso Estado ganhou, quantas pontes, viadutos? Muitos. No caso do Rio Tietê, quanto se gastou para fazer o plantio de árvores, de arbustos e flores? Muito. Agora, será que não há como os legisladores criarem projetos no sentido de envolver os detentos nessas obras?

É possível que organismos ligados aos Direitos Humanos critiquem, mas mesmo assim é preciso haver diálogo para se chegar a um acordo. Não dá para acreditar que esta situação incômoda, de terror e medo perdure por muito mais tempo. A população aguarda por atitudes mais severas do governo com relação às prováveis mordomias conquistadas dentro dos presídios. Em São Paulo, policiais militares e civis estão sendo mortos em circunstâncias estranhas e sem explicação. No mesmo caso, em um momento dizem que o policial seria assaltado e reagiu, causando sua própria morte. Em outro, ele estaria sendo perseguido e teria sido morto em um acerto de contas.

A verdade é que o policial vive no seu limite psicológico 24 horas por dia. Alguns conseguem dormir, outros não. Muitas vezes ele precisa sair escondido de casa para não descobrirem que ele trabalha na PM ou na Polícia Civil. Na volta, também tem de disfarçar. Não podemos permitir essa troca de valores. Eles são pagos, infelizmente muito mal, para nos proteger. Nas situações de emergência, como na iminência de um parto, num caso de malsúbito ou acidente, recorremos aos policiais.

Esses servidores, bem como muitos outros, precisam ser mais respeitados, necessitam de um olhar mais atento do governo. Não é aceitável que o policial tenha de se submeter a tal descaso. A hora de mudar é agora.

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