A vocação multicultural de São Paulo é parte essencial de sua origem. Desde o século XIX, a cidade se transformou com a chegada de diferentes povos, que ajudaram a moldar sua economia, seus bairros e sua identidade. Italianos, portugueses, espanhóis, japoneses, alemães e síriolibaneses foram alguns dos primeiros grupos a desembarcar na capital, deixando marcas profundas que permanecem até hoje.
AS PRIMEIRAS GRANDES CORRENTES MIGRATÓRIAS
Os italianos, que chegaram em massa a partir de 1870, foram fundamentais na transição do trabalho escravo para o assalariado. Muitos se fixaram no Brás, Mooca, Bixiga e Barra Funda, onde abriram padarias, cantinas, fábricas e sociedades culturais. A pizza paulistana, as festas tradicionais e o sotaque carregado de vogais são heranças vivas dessa presença.
Os portugueses, presentes desde o período colonial, consolidaram-se no comércio e nos serviços. No início do século XX, ocuparam bairros como Centro, Tatuapé, Brás e Penha, abrindo armazéns, mercearias e pequenas indústrias. Sua influência permanece na arquitetura, nos clubes e na vida cotidiana.
Os espanhóis, que chegaram entre 1880 e 1930, se distribuíram pelo Brás, Mooca, Bela Vista e Penha, atuando na indústria têxtil e metalúrgica. Criaram sociedades de ajuda mútua e tiveram papel importante nos movimentos operários que marcaram a história social da cidade.
Os japoneses, que desembarcaram oficialmente em 1908, transformaram profundamente São Paulo. A comunidade se concentrou inicialmente no Brás, mas foi na Liberdade que criou um dos maiores redutos nipônicos fora do Japão. A influência japonesa se espalhou pela agricultura, comércio, artes, culinária e educação.
Os alemães, embora em menor número, tiveram impacto decisivo na engenharia, na indústria e na educação. Estabeleceram-se no Centro, Lapa, Vila Mariana e Brooklin, fundando escolas, clubes e empresas que ajudaram a modernizar a cidade.
Esses grupos pioneiros abriram caminho para a São Paulo plural que conhecemos hoje, preparando o terreno para novas ondas migratórias.
AS NOVAS MIGRAÇÕES
Ao longo do século XX e no atual, novas correntes migratórias vindas da América Latina, África e Ásia continuaram a escrever essa história. Bolivianos, peruanos, haitianos, colombianos, angolanos, senegaleses e coreanos trouxeram saberes, empreendedorismo, culinária, arte e religiosidade, enriquecendo ainda mais o tecido social da metrópole.
IMIGRANTES PELA CIDADE
A forma como diferentes comunidades se espalharam por São Paulo revela muito sobre a história econômica e cultural da metrópole. Cada bairro acabou acolhendo grupos específicos, que ali construíram redes de trabalho, comércio e convivência, transformando o mapa da cidade em um mosaico de identidades. Essa presença se manifesta de maneiras distintas em várias regiões:
Bolivianos e peruanos concentram-se no Brás, Bom Retiro e Pari, onde o setor têxtil é forte e onde surgiram restaurantes, mercados e feiras típicas.
Chineses dividem espaço com japoneses na Liberdade, mas também estão na Sé, Aclimação e Cambuci, com mercados e centros comerciais.
Haitianos e africanos (especialmente angolanos e senegaleses) têm forte presença na Zona Leste, em bairros como Guaianases, Itaquera, Cidade Tiradentes e São Mateus, além de atuarem no comércio do Centro.
Coreanos mantêm sua base histórica no Bom Retiro, atuando no setor de moda, e também se expandiram para a Aclimação e o Cambuci.
Síriolibaneses e armênios deixaram marcas no Paraíso, Aclimação, Vila Mariana e Brás, onde ainda existem igrejas, clubes e instituições culturais.
Essa distribuição territorial mostra como São Paulo absorve influências externas sem perder sua identidade — que, na verdade, é justamente a soma de todas elas.
MUSEU DA IMIGRAÇÃO
Localizado no Brás, o Museu da Imigração ocupa o prédio da antiga Hospedaria de Imigrantes, inaugurada em 1887. O local recebeu mais de 2,5 milhões de pessoas vindas de diversas partes do mundo entre o final do século XIX e meados do século XX. Ali, recém-chegados eram registrados, alojados e encaminhados para fazendas, fábricas ou oportunidades de trabalho.
Hoje, o museu preserva essa memória por meio de exposições, documentos, objetos pessoais e fotografias. Também promove debates, oficinas, eventos culturais e ações educativas que reforçam a importância da convivência entre diferentes culturas. Sua preservação é resultado de esforços contínuos de restauração e valorização histórica, garantindo que as novas gerações compreendam o papel fundamental da imigração na construção da cidade.
QUADRO ATUAL DA IMIGRAÇÃO
Atualmente, cerca de 360 mil imigrantes vivem legalmente em São Paulo, segundo dados da Prefeitura. Os bolivianos representam quase um terço do total, seguidos por chineses, haitianos, peruanos e estadunidenses.
O atendimento a imigrantes pelos serviços municipais cresceu 54% entre 2021 e 2022. A cidade conta com uma rede estruturada de acolhimento e integração, liderada pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC) e pela Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS).
Entre os principais programas estão o CRAI, as Vilas Reencontro, o CRAI Móvel, a Ouvidoria da SMDHC, o Projeto Portas Abertas e iniciativas de geração de renda da CPIDT.
São Paulo segue sendo um porto seguro e um ponto de encontro global — uma cidade que cresce, se reinventa e se fortalece justamente por abraçar quem chega.

