Ano após ano, a audiência de jogos de futebol americano, baseball, hockey e basquete da NBA têm sido destaque no Brasil
Um dos clichês mais repetidos quando se fala de Brasil, é o de que aqui é o país do futebol. No entanto, clichês são assim chamados por serem verdades, apesar de óbvias. Basta uma zapeada pelos canais esportivos brasileiros para constatar que o futebol praticamente monopoliza as pautas e discussões entre os jornalistas do ramo. Horas e horas das grades de programação dos três maiores canais de cobertura exclusivamente esportiva são dedicadas aos clubes do esporte mais popular do mundo, daqui e de fora.
Porém, um fenômeno interessante começou a ganhar força nos últimos anos, culminando numa febre que parece longe de terminar – o gosto dos brasileiros por esportes americanos. Ano após ano, o brasileiro tem se engajado mais na torcida por times de ligas como a NFL, de futebol americano, da MLB, de baseball, da NHL, de hockey no gelo, e a NBA, de basquete.
O gosto pelo basquete americano é mais antigo, e data do tempo em que o saudoso narrador Luciano Do Valle trouxe à Rede Bandeirantes um projeto para a transmissão de diversos esportes, que iam desde a sinuca até o futebol europeu. Muitos jovens dos anos 90 aprenderam a gostar de basquete assistindo ao lendário Chicago Bulls, de Michael Jordan, nas noites da Band.
Hoje em dia, quem mais difunde e se beneficia da popularização dos esportes americanos é a ESPN. O canal pertencente à Disney detém os direitos de transmissão da NFL e da MLB com exclusividade, além de dividir as transmissões da NBA com o SporTV e com a BAND, que voltou a transmitir jogos nesta temporada, depois de 20 anos. Nos últimos anos, a final do futebol americano, conhecida como Super Bowl, tem transmissão até mesmo em salas de cinema, com alta adesão dos fãs do esporte.
O marketing dessas ligas já enxerga o potencial comercial dos fãs brasileiros e têm promovido ações importantes. Por exemplo, recentemente a NBA instalou, em parceria com uma marca de artigos esportivos, uma sede temporária na Avenida Paulista, para promover uma festa especial nas finais de campeonato para convidados. O volume de negócios que envolve a febre dos esportes americanos no Brasil é amplo. Sites de apostas online no Brasil, como a Betway Esportes, têm áreas exclusivamente dedicadas às principais ligas americanas e o número de especialistas não para de crescer.
Popularidade da NFL impulsiona a prática do futebol americano no Brasil
O crescimento do gosto pelos esportes americanos se refletem não só no público, mas também na prática esportiva. Especialmente quando se fala do futebol americano. Semelhante, porém diferente do rugby, o esporte tem suas próprias regras e sua própria cultura, que vem sendo cada vez mais difundida no Brasil. O número de praticantes do futebol americano vem crescendo no Brasil, ano após ano, seja de maneira profissional ou recreativa.
Muita gente não sabe, mas já existe a Confederação Brasileira de Futebol Americano (CBFA), que divide o esporte em duas modalidades – o flag football, em que uma fita presa à cintura do jogador deve ser retirada pela defesa do adversário, e a versão mais próxima à original, com muito mais contato entre os atletas. Hoje já são mais de 30 equipes confederadas, que disputam o campeonato nacional separadas por regiões. Rio de Janeiro e São Paulo são as cidades com mais times. Alguns clubes tradicionais, como o Corinthians, já associaram suas marcas a equipes da modalidade.
Em outros casos, se os clubes não se associam diretamente, eles de alguma maneira inspiram equipes de futebol americano. É o caso doMooca Destroyers, criado em 2016, que carrega as mesmas cores do Juventus, clube também oriundo do bairro conhecido por sua tradição de imigrantes italianos. A equipe paulistana conta com quase 70 atletas no elenco, uma comissão técnica de oito pessoas, cinco diretores e um presidente. O desafio dessas equipes rumo à profissionalização é, principalmente, a busca por recursos.
Com a crescente popularização da NFL e até a participação de brasileiros na liga americana, a tendência é que as empresas se interessem em investir no esporte. O potencial de retorno é grande, visto que, por conta do acesso às transmissões e a conteúdos especializados, em sua maioria em inglês, a maior parte do público que acompanha os esportes americanos é formada de pessoas de classes sociais mais altas e, consequentemente, com maior poder aquisitivo.