A Escola de Samba Acadêmicos do Tatuapé leva para o sambódromo do Anhembi neste ano enredo que presta homenagem ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e destaca a relevância da agricultura familiar para o Brasil.
Com versos que celebram a força do cultivo coletivo e a união em torno da terra, o samba-enredo “Plantar para Colher e Alimentar. Tem muita terra sem gente. Tem muita gente sem terra!” promete criar cenas impactantes na avenida. Para Eduardo Santos, um dos presidentes da escola, “as letras ressaltam a construção de uma sociedade justa e a importância da luta agrária, enquanto a melodia se apoia em ritmos pulsantes que valorizam a identidade campestre”, afirma.
JUNÇÃO DE DOIS SAMBAS
O processo de escolha do samba na Acadêmicos do Tatuapé é exclusivamente interno: todos os departamentos da escola participam, ouvindo as obras e votando etapa a etapa no samba de sua preferência, com direito a um voto por departamento. Não há disputas públicas na quadra. Em 2025, a decisão final resultou em um desfecho histórico: o samba campeão é a junção das obras nº 2 e nº 8, unindo forças e talentos para melhor representar o enredo de 2026. Ao todo 21 sambas competiram.
O Samba-Enredo 2026 é uma criação dos compositores Turko, Zé Paulo Sierra, Silas Augusto, Rafa do Cavaco, Claudio Russo, Luis Jorge, Fabio Souza, Dr. Élio, Aquiles da Vila, Fabiano Sorriso, Marcos Vinícius, Lucas Donato, Salgado Luz, Daniel Goulart, Fabian Juarez, Fábio Oliveira, Wagner Forte e Chico Maia.
MOVIMENTO AGRÁRIO
Eduardo Santos declarou ainda que o enredo deste ano “desperta a alma solidária e reforça a conexão com as raízes do país”. Ele acrescentou que a proposta busca traduzir em luxo e emoção a história de resistência dos assentados, valorizando a cultura dos povos do campo. A expectativa é bater recorde de público nos ensaios técnicos que acontecem em dezembro.
Por meio de um comunicado oficial, o MST celebrou a iniciativa da escola tatuapeense: “o tema da Acadêmicos promete arrepiar e emocionar o país, mostrando nossa luta histórica e o papel vital dos pequenos produtores”, informa a nota.
EM BUSCA DO TRI
Em 2025, a Acadêmicos do Tatuapé conquistou o vice-campeonato, ficando apenas 0,1 ponto atrás da campeã Rosas de Ouro. Esse resultado elevou as expectativas de reencontro com a vitória plena: o último título do grupo especial foi em 2018, quando a escola levou seu segundo campeonato. Desde então, a comunidade tem se mobilizado em um esforço coletivo para retomar o topo do pódio.
O histórico recente reforça a ambição da escola de alcançar o tricampeonato. Conforme dirigentes ressaltam, o desempenho na última edição serviu como base para ajustes em coreografias, alegorias e no repertório da bateria. A missão é clara: emocionar jurados e público com uma apresentação que una criatividade, técnica e compromisso social. O tricampeonato se tornou meta compartilhada por toda a escola e pelo bairro, símbolos da força da Zona Leste no crescimento da cidade de São Paulo.
ESTRUTURA PREPARO
Além da parte artística, a escola investe em logística e tecnologia para garantir o melhor desempenho no desfile. Projetos sociais no Tatuapé atendem jovens da comunidade com oficinas de percussão e dança, alimentando a base de componentes da escola. Essa integração fortalece o vínculo entre a agremiação e o bairro, gerando engajamento espontâneo.
A escola também planeja ações de sustentabilidade, com uso de materiais recicláveis nas alegorias e redução de desperdício de água e energia. Parcerias com fornecedores locais visam estimular a economia da Zona Leste e envolver empresas em práticas mais responsáveis.
DESFILE
A Acadêmicos do Tatuapé será a quarta escola a entrar na avenida no desfile de sexta-feira, dia 13 de fevereiro. A ordem dos desfiles será a seguinte, Sexta-feira, dia 13: Mocidade Unida da Mooca (23h00), Colorado do Brás (00h05), Dragões da Real (01h10), Acadêmicos do Tatuapé (02h15), Rosas de Ouro (03h20), Vai-Vai (04h35) e Barroca Zona Sul (05h30); Sábado, dia 14: Império de Casa Verde (22h30), Águia de Ouro (23h35), Mocidade Alegre (00h40), Gaviões da Fiel (01h45), Estrela do Terceiro Milênio (02h50), Tom Maior (03h55) e Camisa Verde e Branco (05h00).
LETRA DO SAMBA-ENREDO
Tupã! Num sopro de ternura
concebeu a agricultura
para os filhos desse chão
Trovejou, lá no alto da palhoça
quando o orvalho molha a roça
é perfeita a comunhão
mas veio o invasor
e a terra então sangrou
negro plantou resistência
Canudos semeou a rebeldia
cada enxada levantada
liberdade florescia.
Mas a ganância por terra sem gente
faz muita gente sem terra chorar!
Quem planta o mal, espalha ambição
me dá, mẹ dá, um ‘pedacim’ de chão. (2x)
Lavoura ê! Lavoura!
Mãos calejadas no cultivo da semente
Lavoura ê! Lavoura! Floresce da terra
a fé dessa gente
alimentar e plantar o amor
proteger é cuidar desse chão
abraçar o nosso irmão
contra a desigualdade
colher dignidade
em cada gota de suor eu vi
brotar, crescer e acreditar
que a esperança está no amanhã
e assim será…
viver é partilhar
e nada em troca esperar!
Tem festa na roça, até o amanhecer
divide esse chão, pro nosso povo colher!
Tatuapé, me chama que eu vou!
Puxe o fole sanfoneiro, no toque do agogô! (2x)

