Policiais do 30º DP Tatuapé cumpriram, no início da manhã da última quinta-feira, dia 27, vários mandados de prisão temporária e de busca e apreensão referentes à investigação que o distrito vinha realizando sobre o ‘rolezinho do Tatuapé’, ocorrido em outubro nas ruas do bairro.
Após a ordem judicial, a operação foi coordenada pelo delegado titular do 30º DP, Marcos Galli Casseb, e acompanhada pelo delegado Milton Borgese, que efetuou a prisão de sete integrantes que promoviam os encontros por meio das redes sociais. Alguns deles, inclusive, contavam com milhões de seguidores.
MOBILIZAÇÃO
A ação conjunta foi realizada em 12 endereços, com a mobilização de um grande efetivo da Polícia Civil e o apoio da Guarda Civil Metropolitana. Neles, foram apreendidas mais de 30 motocicletas — muitas de alta cilindrada e sem placas —, além de um Porsche, vários aparelhos celulares e outros objetos.
Marcos Galli Casseb informou em entrevista que a Operação Zero Grau, desencadeada por suas equipes, foi um sucesso e enalteceu o apoio da GCM e de policiais do 2º Cerco (Corpo Especial de Repressão ao Crime Organizado).
VÁRIOS ENDEREÇOS
Milton Borgese declarou que, para cumprir todos os mandados e prisões ao mesmo tempo, precisou montar uma logística minuciosa de sincronização de horários, já que “não poderíamos deixar nenhum dos suspeitos tomar conhecimento antecipadamente”.
Dos 12 endereços visitados, sete ficam na Zona Leste, três em Mogi das Cruzes, um em São Bernardo do Campo e outro na cidade de Diadema.
“NÃO É TERRA DE
NINGUÉM”
Casseb disse que a investigação teve início em outubro, “quando um grupo de baderneiros decidiu vir ao Tatuapé fazer um rolezinho e se deu mal. Eles acharam que o Tatuapé era terra de ninguém.” Ele declarou ainda que “além dos crimes de trânsito e de perturbação do sossego, os elementos presos serão indiciados por associação criminosa”, cravou o delegado.
Ele comunicou também que esta é apenas a primeira fase da operação, que todos os veículos e objetos apreendidos passarão por perícia para apurar outros crimes e que a investigação continua visando a prisão de outros integrantes.
INQUÉRITO
O inquérito policial foi instaurado pelo delegado após a divulgação de imagens que circularam pelas redes sociais, mostrando dois policiais militares prendendo dois indivíduos que caíram da moto após uma ordem de parada para averiguação.
O cabo PM Jorge e o soldado PM Gonçalves estavam patrulhando a área da 1ª Cia. do 8º BPM/M quando perceberam movimentação estranha de um grande número de motocicletas com ocupantes sem capacete nas proximidades da Rua Antônio de Barros com a Radial Leste.
Segundo o cabo Jorge, ao atenderem o chamado de uma ocorrência na Rua Itapura, eles voltaram a visualizar o grupo em direção ao Parque Ceret. Foi então que se dirigiram à Rua Eleonora Cintra e se depararam com o bando ocupando as faixas de rolamento e fazendo as manobras conhecidas como ‘grau’ e ‘zerinho’. Nesse momento, desceram da viatura e deram ordem de parada, mas grande parte do grupo se evadiu; os dois que caíram da moto foram conduzidos ao 30º DP.
INVESTIGAÇÃO
O documento policial enfatiza que, “após a análise dos perfis públicos dos investigados, ficou evidenciada a ostentação de veículos automotores de elevado valor, notadamente motocicletas, frequentemente utilizadas em exibições de manobras perigosas. Verificou-se que muitos condutores não possuem habilitação para conduzir tais veículos e transitam em velocidade incompatível com a segurança viária.”
As infrações apuradas pelos investigadores estão previstas nos artigos 308, 309 e 311 do Código de Trânsito Brasileiro, que tratam, respectivamente, da participação em competição não autorizada (racha); direção sem habilitação; e trânsito em velocidade incompatível. Também podem caracterizar-se como delito de associação criminosa, nos termos do artigo 288 do Código Penal. O trabalho destaca ainda a ocorrência de perturbação do sossego público, prevista no artigo 42 da Lei de Contravenções Penais, em razão do barulho excessivo e da aglomeração gerada pelos eventos.

