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Home Tatuapé & Região Educação

Como as relações na escola contribuem para a formação de crianças e jovens

26/09/2026
emEducação, Educação
Reading Time: 4 mins read
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Aprender a conviver também faz parte da formação escolar. No dia a dia, crianças e jovens precisam lidar com diferentes opiniões, personalidades e formas de pensar. Essas experiências podem contribuir não apenas para o desenvolvimento social e emocional, mas também para a maneira como os estudantes participam das aulas, enfrentam desafios e constroem sua autonomia.
“Conviver não é apenas uma condição para aprender. Conviver é, em si, uma aprendizagem construída de forma intencional e progressiva desde a Educação Infantil até o Ensino Médio”, afirma Carolina Sperandio, diretora do Colégio Rio Branco. Para ela, a convivência escolar não deve ser entendida como a ausência de conflitos, mas como a construção de um ambiente em que os estudantes possam conviver com as diferenças, expressar suas ideias e encontrar maneiras respeitosas de lidar com os problemas.

RELAÇÕES TAMBÉM INFLUENCIAM A APRENDIZAGEM
O sentimento de pertencimento e a confiança nas relações estabelecidas dentro da escola podem fazer diferença na disposição dos estudantes para aprender. Se sentir seguro para perguntar, errar e tentar novamente é parte do processo de aprendizagem.
“Aprender é enfrentar o desconhecido e sair da zona de conforto, e isso exige esforço, disposição e constância. Um estudante que se sente acolhido, seguro, pertencente ao grupo e tem confiança em seus professores, tende a participar mais da aula, se arriscar diante do que não sabe com mais coragem e ter mais resiliência para superar frustrações”, sinaliza Carolina. Nesse sentido, projetos estruturados de convivência ajudam a criar oportunidades para que os alunos entrem em contato com seus próprios sentimentos, construam vínculos com adultos de confiança, respeitem diferenças e reflitam sobre as consequências de suas atitudes.

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MAIS DO QUE ENSINAR REGRAS
Empatia, comunicação, responsabilidade, autoconhecimento e autorregulação estão entre as competências desenvolvidas por meio desse tipo de trabalho. A ideia é que os estudantes compreendam não apenas quais são as regras, mas também os motivos que existem por trás delas e as consequências de suas escolhas.
“Não basta ensinar uma regra. É preciso ajudar o estudante a compreender por que as regras existem, quais são as consequências do descumprimento e como agir quando interesses pessoais entram em conflito com os interesses do outro”, afirma Carolina.
O diálogo é uma das principais ferramentas utilizadas nesse processo. Ao analisar uma situação, os estudantes podem ser estimulados a pensar sobre o que aconteceu, como cada pessoa interpretou o episódio, quem foi afetado e quais sentimentos estiveram envolvidos. “Uma criança aprende respeito quando percebe que a sua opinião é ouvida. Aprende responsabilidade quando precisa reparar algo que fez. Aprende empatia quando é convidada a pensar: ‘Como será que essa pessoa se sentiu?'”.

AS ESTRATÉGIAS MUDAM CONFORME A IDADE
O desenvolvimento dessas competências acontece de maneiras diferentes ao longo da vida escolar. Na Educação Infantil, as experiências passam principalmente pelo corpo, brincadeiras, histórias e situações concretas. No Ensino Fundamental, ganha espaço a capacidade de nomear sentimentos, compreender comportamentos e resolver pequenos conflitos. Na adolescência, questões relacionadas à identidade, bullying e influência das redes sociais passam a ter maior relevância. “Há uma progressão da experiência concreta para a reflexão, da reflexão para a argumentação, da argumentação para a tomada de decisão consciente”, explica a educadora.

MOMENTOS DE APRENDIZAGEM
Uma convivência saudável não significa eliminar os conflitos. Quando não há situações que representem risco e a segurança dos envolvidos está garantida, esses episódios podem ser utilizados para desenvolver responsabilidade, escuta e capacidade de reparação.
“O conflito sempre fez parte da escola e, apesar dos desafios que traz, ele precisa deixar de ser visto como uma falha a ser eliminada. É claro que situações extremas exigem intervenção adulta e proteção, mas, depois de garantir a segurança, existe uma oportunidade de aprendizagem”, ressalta Carolina.
Ao longo do trabalho realizado com os estudantes, a especialista relata mudanças na maneira como eles expressam sentimentos, explicam seus pontos de vista e assumem responsabilidade por suas atitudes. “Não existe uma linha de chegada e as relações humanas não são um conteúdo que se aprende nos livros. A escola também aprende, revê suas práticas e se transforma a partir daquilo que as crianças e os jovens nos ensinam”, afirma.

A PARTICIPAÇÃO DAS FAMÍLIAS
A construção de uma convivência saudável também depende da relação entre escola e família. Segundo a diretora, quando os dois ambientes estabelecem uma relação de confiança e coerência, valores como respeito, responsabilidade e limites passam a ser compreendidos como princípios importantes para a vida coletiva, e não apenas como regras de um determinado espaço.
“Essa é uma construção coletiva que conta com a participação ativa das professoras, orientação educacional, inspetoria, família, fazendo jus ao provérbio africano que diz que é preciso uma aldeia para educar uma criança”, afirma a diretora.
Mais do que preparar os estudantes para evitar conflitos, o trabalho com convivência busca oferecer ferramentas para que eles possam lidar com diferenças, compreender outros pontos de vista, assumir responsabilidades e tomar decisões conscientes.
“A escola é uma das primeiras experiências coletivas que uma criança tem. Ela precisa aprender a conviver com pessoas que não escolheu, que têm histórias e interesses diferentes e nem sempre concordam com ela. E não é exatamente isso que acontece na sociedade?”, conclui Sperandio.

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