Viajar ao exterior não é luxo

Sr. redator:

“A máxima de que viajar para o exterior é artigo de luxo já se tornou ultrapassada. A nova classe média, a classe C, tem, cada vez mais, aumentado o consumo de viagens internacionais. Há algum tempo ela vem sendo favorecida pelo acesso ao crédito, aumento exponencial da renda nacional nos últimos anos, queda dos preços das passagens aéreas e aperfeiçoamento dos programas de milhagens.

Essa parcela da população, que compõe um montante de 108 milhões de pessoas no Brasil, gastou mais de R$ 1,17 trilhão em 2013 e movimentou 58% do crédito no País. Diante desse cenário, o mercado de turismo está atento às novas oportunidades, cujo desafio é transformar esses deslocamentos na ampliação de consumo de serviços de turismo.

Na cartilha de destinos preferidos por essa classe, Argentina e Santiago despontam como os principais. A América Latina, nosso quintal, é de fácil acesso, tem passagens mais acessíveis (muitas vezes mais baratas que viajar internamente), e a comunicação é facilitada pelo portunhol. Além disso, o câmbio favorável em relação aos vizinhos latino-americanos permite aos brasileiros bancarem uma fama internacional: a de gastadores invictos!

No entanto, com o aumento do IOF (Impostos sobre Operações Financeiras) de 2,38% para 6,38% sobre as operações realizadas com cartões de crédito internacionais, os gastos ficaram mais delicados. Uma solução providencial tem sido os cartões pré-pagos em moedas estrangeiras, os quais possuem um IOF expressivamente mais baixo, além de não cobrar tarifas bancárias e juros associados ao saque em espécie no cartão de crédito.

Outra prerrogativa ao gasto consciente do consumidor da nova classe média, cuja renda per capita varia entre R$ 320,00 a R$ 1.120,00 (nos termos estabelecidos pela Serasa Experian), é a facilidade na forma de pagamento. É mais especificamente nesse quesito que as agências de turismo têm investido pesado. A fórmula dos pacotes mais populares entre esse público é o de poucos dias de viagem, com preços menores e flexibilidade de pagamento.

O engajamento da classe C na busca por experiências culturais tem se revelado também no seu maior conhecimento e preocupação financeira. Isso soa, também, como um maior comprometimento dos estudantes nas viagens internacionais, cujos intercâmbios estudantis aumentaram 683,6%, de 2003 a 2014.  A perspectiva tem um quê de oportunidades não só para o turismo como para a economia nacional, como um todo.”

Henrique Mol

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