Trânsito: Expandir o horário do rodízio é a solução?

Trânsito: Expandir o horário do rodízio é a solução?

Pesquisa divulgada pelo Datafolha e realizada no mês de junho, apontou que muitos paulistanos estão divididos quanto a uma possível expansão, para o dia todo, do horário do rodízio municipal de veículos.

Durante a realização dos jogos da Copa do Mundo, na Arena Corinthians, a medida foi tomada em cinco partidas como forma de diminuir os congestionamentos na cidade e facilitar a locomoção não só dos torcedores, mas também dos moradores que voltavam para casa.

A PESQUISA
De acordo com os entrevistados, 49% são a favor da expansão do horário de restrição de circulação, enquanto 45% se posicionaram contra, 5% se mostraram indiferentes e 2% não opinaram.

Entre aqueles que usam o transporte coletivo, 60% dos usuários de vans disseram ser a favor da medida, assim como 52% dos usuários de ônibus e 50% dos de metrô. Para aqueles que utilizam o carro diariamente, 40% revelaram serem favoráveis à expansão do horário do rodízio, contra 57% que não são a favor.

QUAL A SOLUÇÃO?
Mas o que de fato poderia minimizar os problemas em uma metrópole como São Paulo?

Para o professor de Engenharia do Mackenzie, Luiz Vicente, especialista em gestão ambiental com foco em mobilidade urbana e meio ambiente, investir em um transporte público de qualidade. Só assim as pessoas se sentirão atraídas a deixarem os seus veículos em casa.

“Se você coloca uma restrição maior, você tem que apresentar algo em troca, como um transporte público de qualidade com interligações entre metrô, trem e as linhas de ônibus/vans, criando conexões estratégicas e possibilidades para a locomoção. Caso contrário, qualquer medida que venha a ser tomada poderá ter um efeito contrário. Como aumentar o fluxo de veículos com ônibus fretados, caronas e até mesmo com a aquisição de outro automóvel”, sinalizou.

FROTA MAIOR
E, sem um transporte público de qualidade, outra possibilidade é que aumente, cada vez mais, a circulação dos carros em situação irregular. “É outro risco. De acordo com as últimas estimativas do Detran, a frota atual de carros em São Paulo é de 4,5 milhões. Quando estava em vigor a inspeção veicular, eram três milhões de veículos. Ou seja, temos nas ruas 1,5 milhão de veículos a mais que podem não estar com a sua documentação em ordem. Numa pesquisa rápida, encontrei um anúncio de um carro, ano 95, sendo vendido a R$ 2.700 com a ressalva de que o mesmo tem R$ 7 mil em multas!”, analisou.

MÊS ATÍPICO
Quanto à questão do aumento do horário do rodízio, o professor Luiz Vicente analisou que testes foram feitos durante a realização dos jogos da Copa, em um momento completamente atípico para a cidade. “A rotina das pessoas estava completamente alterada, além disso, não estávamos no período escolar”, disse.

O que não significa que o especialista seja contra qualquer medida que venha a ser apresentada. “A questão é que tudo deve ser muito bem analisado, avaliado. Se você for pensar do ponto de vista sobre o aumento do perímetro de restrição, deve-se pensar enquanto área, e não impedir, por exemplo, a passagem em determinadas avenidas. Isso poderá sobrecarregar o fluxo de carros em ruas menores, paralelas. Então, voltamos na mesma questão da necessidade de oferecer uma rede de transporte público segura, confortável e que funcione. Caso contrário, as pessoas continuarão a buscar caminhos alternativos para chegarem aos seus destinos”, finalizou.

SEM POSICIONAMENTO
Com o intuito de abrir o debate sobre o assunto, a reportagem entrou em contato com a Secretaria Municipal dos Transportes. Uma das perguntas teve como referência o projeto que estudava a ampliação do perímetro do rodízio que não foi levado adiante no início do ano, como anunciado; e se a proposta poderia ser retomada. Também foi questionado se a pasta descartava, ou não, a possibilidade de ampliação do rodízio para o dia todo. Entretanto, até o fechamento desta edição, nenhum posicionamento foi encaminhado.

O mesmo aconteceu com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Neste caso, a equipe deste semanário apenas perguntou sobre o posicionamento dos técnicos quanto à extensão do horário do rodízio e a sua possível viabilização.

Projeto engavetado?
Em janeiro deste ano, a CET divulgou que daria início à expansão do rodízio de carros no mês de abril, mas a implantação da ampliação da “Operação Horário de Pico” não foi definida, de acordo com as informações na época, e a nova sinalização de orientação do rodízio também não estava pronta.

A CET também não esclareceu nada quanto a possíveis aplicações de multas e orientações, assim como não relatou se há um estudo mostrando a porcentagem de redução da circulação de veículos com a ampliação do rodízio.

Entretanto, a zona de restrição foi sinalizada na Avenida Radial Leste, junto à Avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé. Ainda de acordo com a matéria publicada na ocasião, a CET não descartou do processo a inclusão das avenidas Radial Leste (extensão da proibição), Regente Feijó, Aricanduva, Amador Bueno da Veiga, Assis Ribeiro e Jacu-Pêssego como parte do novo perímetro de restrição

A princípio, a Prefeitura chegou a afirmar querer diminuir a circulação de carros nas regiões mais periféricas da cidade, mantendo os mesmos horários definidos no plano anterior, ou seja, das 7 às 10 horas, e das 17 às 20 horas. Para isso, a Secretaria Municipal de Transportes deveria incluir mais de 300 quilômetros de vias no sistema de rodízio.

Estudo do Conselho Municipal de Transporte e Trânsito apontou que a velocidade média dos veículos em toda a cidade aumentaria em 8,5% e haveria uma diminuição de 13% nas filas e congestionamentos, com a entrada da nova medida em vigor.

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