Rolezinho cultural: por que não?

Todos nós já ouvimos falar dos “rolezinhos”. Grupos de jovens reúnem-se em parques, shoppings e outras áreas livres para ouvir funk tipo “batidão”, namorar e aumentar o número de participantes nas redes sociais.

Nada contra essas reuniões, desde que não haja brigas ou algum tipo de atitude preconceituosa. O problema está mesmo na falta de um objetivo maior nesses encontros, afinal muitos dos meninos e meninas têm outros sonhos, desejos e querem alçar vôos mais altos.

Mas se isso ocorre, por que eles não se mostram?  É triste ver pessoas tão diferentes, com idéias inovadoras, agindo como uma manada. Estes não são os jovens que eu conheço. E, na verdade, acho que nem eles querem acreditar que tudo se resume a quase nada.

Já que concordamos, pelo menos penso eu, por que não apostar na recuperação de nossos espaços culturais ou na criação de outros. Falando da Zona Leste, onde eu conheço, pouco se vê com relação à dança, teatro e música que envolva grande parte dos jovens. Vejo movimentos isolados que não são capazes de aglutinar grupos maiores. De qualquer forma é válido.

O que não entendo é a falta de reivindicações que garantam um futuro mais dinâmico, ousado, diferente e que possa surpreender a todos os frequentadores desses “rolezinhos”. Afinal de contas, quem quer cultura e diversão também pode descobrir mais sobre o mundo com samba de raiz, rap, hip-hop, poesia, música clássica e outras alternativas relacionadas à arte de um modo geral.

Então se é possível reunir um grande número de pessoas pelas redes sociais, há como ir atrás de outras conquistas, de aproveitar a massa para difundir o novo para muitos que, até então, só conheciam o “batidão”. Posso até estar errado ou velho demais, com 45 anos, mas eu acho um desperdício deixar tantas cabeças criativas envolvidas num único propósito.

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