Perdemos a Copa. Ainda bem

Sr. redator:
“Fomos eliminados na semifinal da Copa ‘na nossa casa’: Alemanha 7 x 1 Brasil.

Nossa eliminação foi uma surpresa? Absolutamente não. Pelo contrário, era completamente previsível.

Foi um vexame? Talvez, pelo placar, mas não pela derrota, que era esperada, tal a desorganização do futebol brasileiro. Aliás, poderíamos ter sido eliminados antes, no jogo contra o Chile – se a bola que bateu na trave tivesse entrado, no último minuto da prorrogação – ou ainda no jogo contra a Colômbia, que atualmente é melhor que o Brasil, apesar de não demonstrar naquele jogo.

Lamento muito por aqueles ‘torcedores de Copa’ que vestem a camisa e se desesperam na frente da TV, a maioria apenas a cada quatro anos. Mas o brasileiro que gosta e acompanha o futebol, no dia a dia, comemorou.

Ou deveria ter comemorado, pois seria péssimo para o futebol brasileiro que o Brasil vencesse uma Copa após cometer tantos erros – e nem vamos falar aqui dos cometidos há 15 ou 20 anos pelos nossos dirigentes. Vamos pensar apenas nos equívocos mais recentes.

Demitir um técnico após dois anos de trabalho, e justamente quando o resultado começava a aparecer, foi o primeiro absurdo.

Para substituí-lo, foi contratado um técnico que não apresenta bons trabalhos há pelo menos oito anos, e que acabara de contribuir para o rebaixamento do último time comandado por ele para a segunda divisão.

Para auxiliá-lo, nada de jovens com ideias inovadoras, nada disso. Contratou-se mais um ‘dinossauro’. Outros dois erros.

Esta comissão técnica convocou um grupo de jogadores jovens e cuja maioria é apenas coadjuvante ou até reserva em seus times. E foi dito a alguns deles, um ano antes da competição, que estavam garantidos no time. Pode isso?

Em um ano tanta coisa muda! Que o digam os jogadores Julio Cesar, Daniel Alves, Fred e Paulinho, por exemplo.

E, para completar, um membro da comissão técnica diz, antes do início da Copa, que o Brasil está ‘com uma mão na taça’. Soberba?

Por fim, no decorrer da competição, ao perceber que as coisas não iam bem, o técnico privilegia meia dúzia de jornalistas – num universo de centenas – e diz, entre outras coisas, que no grupo há um jogador que ele se arrepende de ter convocado. Pronto, a dúvida paira no ar: ‘serei eu?’, devem ter se perguntado os jogadores. Isso gera insegurança.

O nosso técnico achou que ter um craque (sim, temos apenas um!), o apoio da torcida cantando o hino à capela e contar com a tradição de nossa camisa, seria o suficiente para vencer.  Não foi, é claro.

E nossos dirigentes ainda não perceberam que, já há algum tempo, o Brasil não tem mais o melhor futebol do mundo.

É preciso ter humildade para se reorganizar e evoluir. Urgentemente.

Feito isso, que venha 2018! Brasil, rumo ao hexa!”

Luiz Rocha

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