Pai de fim de semana

Sr. redator:
“‘Meu filho, mamãe e papai vão se separar. Papai está saindo de casa, mas o juiz vai me permitir te ver a cada quinze dias’. Com essa frase muitas crianças e adolescentes estão sendo comunicados da separação de seus pais. A notícia da separação, na maioria das vezes já esperada pelo péssimo clima mantido em casa, é muito dolorosa.

É comum, que os filhos se sintam culpados, e com certeza isso acarretará repercussões negativas no futuro dessas crianças. Mas, muito mais dolorosa e com repercussões mais sérias no âmbito psicológico, é a notícia de que será quebrado o contato com o pai.

Durante muitos anos de influência machista em nosso país, os homens ficaram afastados das tarefas até então instituídas femininas de criar os filhos. Diversas comparações com animais irracionais em que, a fêmea é responsável pelo cuidado da prole, enquanto o macho ‘sai à caça’, foram feitas.

Com a possibilidade da dissolubilidade do matrimônio ocorrido com o advento da lei do divórcio, iniciou-se o processo de modificação dessa realidade. A visão obsoleta, onde os filhos ficam com a mãe, cabendo ao pai a chamada visitação em finais de semana alternados, aos poucos vem sendo bastante criticada.

Isso mesmo, o termo utilizado é visitação, o mesmo termo utilizado para designar o contato com amigos, parentes e até mesmo estranhos. A forma pejorativa do contato inicia-se com o péssimo termo empregado. Ora, pai não visita filho, pai convive com o filho.

Ao fixar o contato do pai e seu filho como visitação, instituiu-se a figura do ‘pai de final de semana’. A figura paterna passou a ser vinculada pela criança com o lazer, nunca com a obrigação. Consequentemente, o filho passa a vê-lo sem seriedade, perdendo até o respeito.

É inegável o dano causado aos filhos a ‘fixação da visitação’ de forma restrita. Aquele contato diário entre pai e filho, o acompanhamento constante da criação do menor, é posto de lado. Muitos pais, efetivamente, preferem desta forma.
Acomodam-se dedicando seu tempo a outros afazeres, abandonando a função natural de resguardar e acompanhar o desenvolvimento dos filhos. Entretanto outros têm procurado uma maior participação.

É importante esclarecer, que aquele que detém a guarda, não possui um troféu para ser mostrado. Muito menos uma arma a ser utilizada contra o ex-companheiro. Acima desses interesses pessoais existe a responsabilidade de tomar as decisões na vida do menor, buscando tão somente o sadio desenvolvimento deste. O poder de decisão é oriundo do poder familiar, e pertence a ambos os pais, independentemente da guarda. Entretanto, o seu detentor possui a prerrogativa de decisão, competindo ao outro, caso não concorde, procurar a justiça.

Ainda estamos engatinhando, buscando um oásis no meio de um deserto, mas enquanto não o encontramos, apenas um cantil serve para amenizar nossa sede. Aos pais compete não se acovardarem, muito menos acostumarem com esta situação. Às mães, não transferirem suas angústias, medos e problemas para seus filhos, para não se transformarem em adolescentes ou adultos-problema.”

Marcelo Santoro Almeida

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