Obesidade infantil: emergência

Sr. redator:

“Durante reunião do comitê regional da OMS (Organização Mundial de Saúde) para as Américas, em Washington, foi lançado um plano de ação para conter a obesidade em crianças e adolescentes, que alcançou proporções epidêmicas nas Américas.

Agora, a Opas (Organização Pan-americana da Saúde) vai unificar os esforços e assumir a liderança deste plano de ação.

Estudos concordam que os fatores mais importantes que promovem o aumento de peso e obesidade, assim como as doenças não transmissíveis conexas, são o alto consumo de produtos com pouco nutriente e muito açúcar, gordura e sal, além de consumo regular de bebidas açucaradas e atividade física insuficiente.

O consumo de bebidas açucaradas, por exemplo, tem forte associação com doença cardiovascular, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica.

Uma tendência comercial atual associada à epidemia de obesidade é a grande oferta e o aumento do consumo per capita dos produtos energéticos com poucos nutrientes na população de baixa e média renda. O consumo desses produtos é cinco vezes maior e o de refrigerantes é quase três vezes maior em comparação ao de países desenvolvidos.

A publicidade desses produtos para crianças e adolescentes aumentou, influenciando as preferências alimentares, as compras e os padrões alimentares dessas populações.

As oportunidades de atividade física diminuíram, devido à falta de planejamento urbano, violência e ao fato de a diversão eletrônica estar substituindo cada vez mais a atividade física recreativa.

Quanto mais cedo o indivíduo fica com sobrepeso e obesidade, maior é o risco de permanecer assim com o avançar da idade. A obesidade em idade precoce tem consequências adversas para a saúde, pois aumenta o risco de asma, diabetes tipo 2, apneia do sono e doenças cardiovasculares, além de afetar o crescimento e o desenvolvimento psicossocial durante a adolescência.

O Plano de Ação da OMS para combate à obesidade infantil tem várias metas, entre as quais destacam-se o incentivo do aleitamento materno exclusivo até seis meses de idade, melhoria de ambientes de nutrição e atividade física nas escolas e políticas fiscais e de regulamentação do marketing e rotulagem dos alimentos.

A estratégia para a melhoria de ambientes de nutrição e atividade física nas escolas incentiva as intervenções na escola, para modificar o comportamento alimentar e prevenir o sobrepeso e a obesidade. O Programa ‘Meu Pratinho saudável’, desenvolvido com metodologia e apoio científico do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, se baseia em um método facilitado para melhor compreensão das crianças e adolescentes em idade escolar quanto aos melhores ingredientes e porções a serem colocados no prato, além de ter como base atividades lúdicas, que são incorporadas às atividades escolares.

A experiência exitosa do programa já comprovou que, depois de apenas um ano, alunos de uma escola estadual da zona oeste da capital paulista melhoraram seus hábitos alimentares, passando a comer mais frutas e verduras e reduzindo o consumo de doces, biscoitos, macarrão instantâneo, refrigerantes e frituras, além de terem aumentado o tempo destinado à atividade física.”

Elisabete Almeida

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