Lodradouros do Tatuapé – Letra ‘P’

RUA PADRE ADELINO
Ato nº 972 – 24 de agosto de 1916.
● Localização: começa na Praça Barão do Tietê e termina na Praça Silvio Romero.
● Histórico: padre Dr. Adelino Jorge Montenegro. Além dos tradicionais estudos teológicos para sua formação sacerdotal, este personagem bacharelou-se em advocacia  pela Faculdade de Direito desta Capital, em 1871. Elemento de grande projeção na Igreja, foi vigário geral e secretário do bispado ao tempo de Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho. Como advogado, atuou com desenvoltura em processos nos foros desta Capital e da cidade de Santos.

Padre Adelino possuía uma chácara na Zona Leste. Localizava-se, aproximadamente, no trecho que fica entre o atual Largo Ubirajara e a Avenida Álvaro Ramos. Era normal os habitantes locais verem-no passear de charrete pelas picadas do Tatuapé, principalmente onde hoje conhecemos por Vila Gomes Cardim. Tal era seu fascínio pela região, que já em 1886, tentara junto às autoridades municipais isenção de taxas e impostos para a construção de uma capela em louvor à Nossa  Senhora do Parto, da qual era devoto. Para seu dissabor, teve seu pedido indeferido. Em 8 de abril de 1902, foi nomeado zelador da Capela Nossa Senhora da Imaculada Conceição, na atual Praça Silvio Romero, o que lhe deu a oportunidade de criar a Irmandade de Nossa Senhora do Parto, em 26 de maio desse mesmo ano.

Padre Adelino Jorge Montenegro faleceu em 28 de dezembro de 1908. Sua atuação em favor das entidades religiosas da região renderam-lhe a admiração e reconhecimento de seus contemporâneos.

RUA PADRE ANTONIO DE SÁ
Decreto 60 – 15 de novembro de 1940.
● Localização: Começa na Rua Almirante Calheiros e termina na Rua Teixeira de Melo.
● Denominação antiga: Rua D.
● Histórico: orador sacro, nasceu em 1620 e faleceu em 1678.

RUA PADRE DIOGO NUNES
Decreto nº 2.631 / 8 de julho de 1954.
● Denominação antiga: Rua D.
● Localização: começa na Rua Francisco Marengo e termina na Rua Alcacer Kebir.
● Histórico: pertenceu à Igreja de São Miguel.

RUA PADRE ESTEVÃO PERNET
Decreto nº 6.816 / 28 de dezembro de 1965.
● Localização: começa na Rua Tuiuti e termina na Rua Francisco Marengo.
● Denominação antiga: Rua do Ouro.
● Histórico: a Congregação dos Padres Assuncionistas foi fundada pelo padre Manuel D’Alzon, na França, no Natal de 1850. Um homem muito o ajudaria na tarefa de desenvolver a entidade e a levar a cabo os extraordinários serviços sociais por ela realizados: padre Stephane Pernet. Esse nome, aportuguesado para Estevão Pernet, foi dado à antiga Rua do Ouro em sua homenagem. Pernet nasceu na cidade de Villexon , França, em 23 de julho de 1824 e faleceu com 75 anos, em Paris, em 31 de abril de 1899.

RUA PADRE LANDELL DE MOURA
Decreto nº 12.182 – 28 de agosto de 1975.
● Localização: Jardim Anália Franco. Começa na Rua Alonso Calhamares e termina na Rua Eleonora Cintra.
● Denominação antiga: Rua Onze.
● Histórico: o padre Landell de Moura, pioneiro da telegrafia e da telefonia sem fio, nasceu em Porto Alegre em 1861. Fez seus estudos iniciais no Colégio dos Jesuítas, em São Leopoldo, Rio Grande do Sul. Após 1879, transferiu-se para o Rio de Janeiro, matriculando-se na Escola Politécnica.

Abandonou-a pouco depois para dedicar-se à carreira eclesiástica. A seguir, viajaria para Roma ingressando no Colégio Pio Americano e depois na Universidade Gregoriana. Em 1886, já ordenado sacerdote, regressou ao Rio de Janeiro, tendo mantido longas palestras de caráter científico com o Imperador Dom Pedro II. Em 1892, foi transferido para São Paulo. Em nosso Estado foi vigário em Santos, Campinas e no bairro de Santana.
Em São Paulo, começou a desenvolver suas primeiras experiências. Entre os anos de 1893 e 1894, fez transmissões pelo telégrafo sem fio, em linha reta, desde a Avenida Paulista até o alto de Santana, uma distância estimada em oito quilômetros. Isto, dois anos antes das experiências feitas em Ontechi, Itália,  por Marconi. O padre Landell conseguiu vencer a distância citada, mas não a incredulidade e ignorância das autoridades eclesiásticas da época. O clero não via com bons olhos as experiências do sacerdote e as autoridades civis também não lhe davam estímulo para prosseguir nas revolucionárias pesquisas. A notícia da transmissão em São Paulo despertou grande indignação entre alguns paroquianos, culminando pela invasão do seu laboratório e a destruição de todos os seus aparelhos e equipamentos. A reação contra seus estudos tornou-se tão violenta que alguns amigos o aconselharam a abandonar a batina, só assim, diziam eles, poderia dar continuidade aos seus trabalhos científicos. Mas Landell não admitia a idéia de ser sua igreja inimiga da ciência e do progresso humano.

Pouco tempo depois o sacerdote viajou para os Estados Unidos e foi surpreendido com a cassação dos seus direitos. Indiferente às circunstâncias continuava pesquisando. Conseguiu uma patente brasileira sob o nº 3.279, expressamente concedida para um aparelho apropriado para transmissão através do espaço, com ou sem fio, sobre a terra e a água. Pelo fato de só ter conseguido essa patente em 1900, deu-se a prioridade científica oficial ao invento de telegrafia sem fio para Marconi, que a havia registrado antes.

Em junho daquele ano, magoado com as hostilidades de seus compatriotas, pensou em doar seus inventos à Grã-Bretanha, terra de seu avô, mas acabou desistindo de seu intento.

Em 1901, viajou para os Estados Unidos, lá instalando uma oficina para a montagem dos modelos dos seus inventos. Imediatamente os patenteou no The Patent Office, de Washington, denominando-os Wirelles Telegraph (telégrafo sem fio). As patentes receberam os números: 775, 846, 337, 771, 917. A tradução integral dessas patentes constam no livro “ O incrível padre Landell de Moura”, obra na qual são descritos a vida e os inventos do sacerdote. Nos Estados Unidos, para não prejudicar o Brasil, o padre Landell recusou propostas de exploração dos seus inventos. Decorridos 17 anos, prazo de vigência estipulado pelas leis americanas para exploração de patentes, puderam os americanos desfrutar dos seus inventos.

De volta ao Brasil, solicitou ao presidente Rodrigues Alves a disponibilidade de dois navios para demonstração de suas teorias. Já naquela época, padre Landell apregoava a possibilidade de transmitir imagens à distância. Antevia, dessa forma, o futuro invento da televisão. Entre tão variadas qualidades, Landell era um extraordinário orador sacro. Foi vigário nas cidades de Botucatu e Mogi das Cruzes. Faleceu em Porto Alegre, em 30 de junho de 1928.

RUA PADRE JOSÉ MORSCHHAUSER
Decreto nº 15.221 / 16 de agosto de 1978.
● Denominação antiga: Rua Particular A.
● Localização: começa na Rua Ita­peti e termina na Rua Emília Ma­rengo.
● Histórico: o padre José Morsch­hauser nasceu na cidade alemã de Ubenhausen, em 30 de setembro de 1901. Trabalhou em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná. Recusou convites de seus superiores para retornar à Alemanha. Finalmente, vindo para São Paulo, trabalhou muitos anos na Igreja do Cristo Rei. Posteriormente foi designado para a Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, na Água Rasa. Esse prelado era muito querido por seus fiéis, tendo sido acompanhado por eles em seus últimos momentos. Padre José faleceu em 10 de abril de 1978.

RUA PEDRO NOSRALLA
Decreto nº 16.329 / 7 de janeiro de 1980.
● Localização: rua sem saída, começa na Rua Visconde de Itaboraí.
● Denominação antiga: Rua Particular de Vila Gomes Cardim.
● Histórico: Pedro Nosralla nasceu em Jaboticabal, em 29 de junho de 1911. Era filho de Elias Nosralla e de Maria Muzetti Nosralla. Diplomado em Direito pela Universidade do Rio de Janeiro, militou na advocacia nas regiões de Araçatuba e Jaboticabal. Foi presidente do Rotary Clube e diretor do Clube Atlético e Rádio Clube do seu município. Em 1953, transferiu-se para São Paulo, somando suas atividades à Fundação Lares – Legião de Assistência para Reabilitação de Excepcionais, da qual foi diretor até a data de seu falecimento, em 30 de janeiro de 1975.

RUA PLATINA
Lei nº 3.132 / 14 de janeiro de 1928. Lei nº 4.220 – 17 de junho de 1952 (relativa ao prolongamento da rua).
● Localização: começa na Rua Tuiti e termina na Rua Francisco Marengo.
● Histórico: homenagem à cidade paulista denominada Platina. O Distrito de Paz foi criado pela Lei nº 309, em 26 de julho de 1894 e o Município de Platina em 24 de novembro de 1915.

RUA PROFESSOR CARLOS ZAGOTIS
Lei nº 5.563 / 14 de novembro de 1958.
● Localização: começa na Rua Melo Freire e termina na Rua Platina.
● Denominação antiga: Rua Um.
● Histórico: Carlos Zagotis nasceu em Botucatu, interior de São Paulo, em 14 de abril de 1902. Foi professor do Instituto de Ciências e Letras e do Ginásio Bandeirantes. Especializou-se em Filologia, Português, História e Geografia. Faleceu em 18 de setembro de 1948.

RUA PROFESSOR JOÃO DE OLIVEIRA TORRES
Decreto nº 11.374 – 2 de outubro de 1974.
● Localização: Jardim Anália Franco. Começa e termina na Rua Alonso Calhamares.
● Denominação antiga: Rua Um.
● Histórico: o professor João Camilo de Oliveira Torres nasceu em Itabira do Mato Dentro, em 31 de julho de 1915. Jornalista, escritor e acadêmico, colaborador do jornal “O Estado de S. Paulo”. Juntamente com outros jornalistas foi um dos elaboradores do Suplemento Especial comemorativo dos 150 anos da Independência do Brasil. Colaborou, também, para jornais de Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

Ingressou no IAPC em 1942, como técnico de administração daquela autarquia. Foi delegado regional da mesma entidade em Minas Gerais, exercendo posteriormente o cargo de coordenador de seguros do INPS. A partir de maio de 1970, foi delegado regional desse Instituto em Minas.

Secretariou a comissão que elaborou a Lei Orgânica da Previdência Social. Em Itabira foi inspetor de linhas telegráficas.

Seus estudos foram realizados inicialmente em Itabira, tiveram continuidade em Belo Horizonte e conclusão no Rio de Janeiro. Em 1952 era professor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UCMG e da Universidade Mineira de Arte.

Além dos artigos para revistas e jornais, deixou volumosa e importante  produção literária. Seu primeiro livro, “O sentido e a finalidade do ensino universitário”, foi editado em 1940. Após esse, publicou importantes títulos, destacando-se entre eles: “O homem e a montanha”, “A democracia coroada”, “História de Minas Gerais” e “Os construtores do Império”. Foram suas últimas obras: “A Igreja de Deus no Brasil” e “Idéias políticas no Brasil”.

Foi membro da Academia Mineira de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico e da Academia Portuguesa de História. Chegou a integrar o Conselho Estadual de Educação da Universidade Católica de Minas Gerais. Não compareceu à posse de sua nomeação para o cargo de diretor do Arquivo Nacional. Foi condecorado com a medalha da Inconfidência, a mais alta distinção conferida pelo governo mineiro. Recebeu ainda a medalha “Imperatriz Leopoldina”. Foi comendador da ordem do Infante Dom Henrique e Cavalheiro do Mérito do Trabalho. Faleceu em 31 de janeiro de 1973.

RUA PROFESSOR PEDREIRA DE FREITAS
Decreto nº 6.933 / 22 de março de 1967.
Decreto nº 32.839 – 17 de dezembro de 1992 (este ato se refere ao prolongamento da via).
● Localização: começa na Rua Ita­pura e termina na Rua Atucuri, na Chácara Califórnia.
● Denominações antigas:  Rua Telefônica, Rua Martim Pescador e Rua Califórnia.
● Histórico: o professor Dr. José Lima Pedreira de Freitas nasceu em Mococa, Estado de São Paulo, em 1917. Foi catedrático do Departamento de Higiene e Medicina Preventiva da Faculdade de Ribeirão Preto. Fez seus primeiros estudos no Liceu Pasteur, Ginásio São Bento e Colégio São Luis. Durante os anos na faculdade, o professor Pedreira de Freitas já demonstrava sua notável inteligência, laureando-se todos os anos. Conquistou, por duas vezes, o prêmio “Paulo Montenegro”. Após fazer em nosso país diversos cursos de aperfeiçoamento, viajou para os Estados Unidos, onde se graduou em Saúde Pública, pela Universidade John Hopkins. Em 1934, ingressou no Departamento de Parasitologia da Faculdade de Medicina de São Paulo.

Dedicou-se aos estudos de malária e da moléstia de chagas, tendo sua atuação sido decisiva no aperfeiçoamento nos métodos de diagnóstico e de outros aspectos ligados à infecção pelo “tripanoma crusi”. Alarmado pelos aspectos epidemiológicos da doença de chagas, conseguiu instalar em Cássia dos Coqueiros, neste Estado, um posto para estudos daquele mal.

Em 1953, ingressou na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, como professor adjunto interino do Departamento de Parasitologia. Um ano depois, era convidado para ser professor do Departamento de Higiene e Medicina Preventiva. Efetivou-se na cátedra após brilhante curso, no qual obteve distinção absoluta da banca examinadora.

Em 1964, nova consagração, em face de ter conquistado o prêmio “Dr. Antenor Cansoni”, dedicado a trabalhos sobre a  moléstia de chagas.

Em fevereiro de 1966, viajou para a Colômbia, como representante da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, para participar de simpósio sobre o ensino médico. Deixou trabalhos científicos publicados em revistas médicas brasileiras e estrangeiras. Nesse mesmo ano, no dia 15 de junho o Dr. Pedreira de Freitas faleceu.

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