Kingsman: O Círculo de Ouro

Kingsman: O Círculo de Ouro

O público verá que existe algo extremamente apelativo em “Kingsman: O Círculo de Ouro”, seja a sua capacidade de manter o tom irreverente, enérgico, saudavelmente demente e politicamente incorreto do primeiro filme, ou as coreografias de excelência das cenas de ação e o cuidado colocado no design de produção ou as dinâmicas entre Taron Egerton (Gary ‘Eggsy’ Unwin) e Colin Firth (Harry Hart).

E só quem sabe o que quer que consegue manter a alma do filme original, “Kingsman: O Serviço Secreto”, desenvolver os personagens apresentados anteriormente e colocá-los em situações novas, sempre com algumas doses de insolência e extravagância.

O diretor Matthew Vaughn assume, sem qualquer ponta de vergonha e com imenso descaramento, que o público está diante de um filme de espionagem que, simultaneamente, utiliza e subverte as convenções do gênero, com o cineasta conseguindo balancear, com um acerto notável, o lado mais leve com a sua faceta mais séria e dramática.

A destruição das bases da Kingsman do filme anterior aparece como um meio para Vaughn fazer Eggsy (Taron Egerton) e Merlin (Mark Strong) seguirem aos EUA para contatarem a Statesman, a versão americana da agência de espionagem. Se a agência britânica tem uma alfaiataria de fachada e os seus integrantes assumem uma faceta de gentlemen, os agentes yankees contam com uma postura de cowboys e têm no álcool um negócio que aquece, e muito, o espírito.

As adições são de luxo, com Jeff Bridges, Channing Tatum, Halle Berry e Pedro Pascal dando vida e personalidade aos peculiares agentes da Statesman. Do lado dos antagonistas temos Poppy, a líder do Golden Circle, com Julianne Moore mostrando um estilo desequilibrado, mortífero, deliciosamente negro e caricatural. Ela é uma traficante que pretende que o seu negócio seja legalizado e coloca a humanidade em risco, em particular, aqueles que consomem drogas.

O “quartel-general” de Poppy reflete o cuidado colocado na decoração dos cenários e a criatividade de todos os envolvidos. A Poppy Land parece ter saído dos anos 80, com suas cores marcando os diversos estabelecimentos e sua tecnologia mortal, seja uma picadora de carne humana, ou cães-robô prontos a atacar. Temos ainda Bruce Greenwood como um presidente dos EUA quase tão cabotino como Donald Trump. Além dele, os recomendáveis regressos de Edward Holcroft, como o traiçoeiro Charlie Hesketh, e de Colin Firth, como Harry Aka Galahad.

Colin Firth imprime classe, densidade e humanidade a Harry, um personagem que tem uma relação de respeito e amizade muito forte com Eggsy. É algo que se mantém do primeiro filme e é reforçado na sequência, com Taron Egerton demonstrando que o protagonista está mais confiante. O argumento nunca esconde o lado humano, nem a atribuição de dimensão aos personagens principais, algo que adensa a emoção das missões que eles protagonizam. Pelo meio ocorrem algumas reviravoltas, agentes-duplos, novas armas e um conjunto de cenas de ação.

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