ITAQUERA: A 32 dias da Copa MTST continua próximo à Arena

ITAQUERA: A 32 dias da Copa MTST continua próximo à Arena

Desde sábado, 3 de maio, cerca de duas mil famílias (aproximadamente 4.500 pessoas) do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) que recebem em média, R$ 300 mensais do bolsa-aluguel da Prefeitura, estão ocupando um terreno particular em Itaquera. A área fica a menos de 4 quilômetros da Arena Corinthians e o movimento foi batizado de “Copa do Povo”. De acordo com o MTST, o terreno estaria abandonado há mais de 20 anos a as pessoas que participam da ocupação estariam vivendo em situações de risco, como em favelas ou sem condições de pagar aluguel, devido à especulação imobiliária na região em decorrência do Mundial.

DECISÕES
Na quinta-feira, 8 de maio, a Justiça de São Paulo determinou a reintegração de posse do terreno invadido. No despacho que determina a reintegração, solicitado pela construtora Viver Empreendimentos, dona da área, o juiz Celso Maziteli Neto, do Fórum de Itaquera, aciona a Polícia Militar e diz que as cerca de duas mil famílias que montaram barracos no local têm 48 horas para fazer a “desocupação voluntária” do terreno. A área possui 155.000 metros quadrados.

CONVERSA
Ainda na quinta-feira, a presidente Dilma Rousseff, em visita à Arena Corinthians, aproveitou para conversar com representantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto. Segundo o Planalto, Dilma se encontrou por 20 minutos com representantes do MTST antes da visita ao estádio. “A presidenta determinou que o Ministério das Cidades viabilizará o acesso desse grupo ao programa Minha Casa, Minha Vida”, disse a assessoria de imprensa do Planalto.

PEDIDOS
Diante disso a organização pediu à Justiça a suspensão da reintegração de posse do terreno em Itaquera. O MTST também solicitou que haja uma rodada de negociação com a Prefeitura, governo do Estado, Ministério Público e Câmara Municipal.

De acordo com a defesa do MTST, o imóvel, situado próximo à Arena Corinthians, está desocupado há mais de 20 anos. O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) Guilherme Boulos, afirma que a área era degradada. “Isso aqui (terreno) só servia para uso de drogas, assaltos, estupros, descarte de carros e desova de cadáveres”, afirma. “Enquanto a Copa da Fifa ocorrerá com investimentos de cerca de 30 bilhões de reais, sem atender o povo, que sequer poderá pagar ingresso para assistir aos jogos, o povo organiza sua resposta”, disse o MTST em comunicado.

A entidade entrou na quinta-feira com recurso no Fórum de Itaquera, pedindo ao juiz Maziteli Neto que reconsidere a decisão de reintegração de posse. Para eles, a remoção com auxílio da PM “acarretaria drásticas e irreparáveis consequências à comunidade, tendo em conta a iminência de conflitos violentos com as forças policiais”.

SUSPENSO
De acordo com a assessoria da Subprefeitura Itaquera, na sexta-feira, 9 de maio, foi informado que a reintegração de posse foi suspensa. Na sexta-feira, 23 de maio, será marcada uma nova reunião de conciliação entre integrantes do MTST e a dona do terreno, a construtora Viver Empreendimentos.

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