Gazarra S/A – Indústrias Metalúrgicas

Gazarra S/A – Indústrias Metalúrgicas

Os irmãos Flávio e Waldomiro Gazarra, técnicos mecânicos formados pela Escola Técnica Getúlio Vargas em meados da década de 40, iniciaram sua carreira profissional como mecânicos ferramenteiros. Imbuídos de boa dose de idealismo, em 23 de fevereiro de 1948 montam uma pequena oficina mecânica.  Objetivo: a fabricação de estampos, dispositivos e ferramentas especiais para  empresas de várias áreas: metalúrgicas, marcenarias, vidrarias, indústrias de artefatos plásticos e de borracha etc.

Em 1950, com a denominação de Metalúrgica Gazarra, instalam-se em prédio próprio, com área de apenas 100 metros quadrados, na Rua Boa Esperança, 447. Em face do Tatuapé ainda não possuir infra-estrutura adequada, comunicavam-se por telefones de recados e a correspondência era enviada e recebida pela agência dos Correios de Vila Carrão. Na nova sede iniciaram a fabricação de brinquedos e de algumas utilidades domésticas, tais como: abridores de lata e garrafas, raladores de queijo, fogareiros a álcool e querosene, lamparinas etc. Os brinquedos eram elaborados com folhas de flandres, pois a indústria de plásticos ainda engatinhava.

Com o decorrer do tempo, a área ocupada tornou-se pequena. Como ainda os terrenos no Tatuapé não haviam sofrido os efeitos especulativos do “boom” imobiliário, tornou-se viável a aquisição de propriedades vizinhas para a necessária expansão. A edificação do novo prédio, em dois pisos, aumentou para 7 mil m2 a área construída. O aumento e diversificação da linha de produtos logo se fez sentir. Agora a Metalúrgica Gazarra fabricava: escadas domésticas, mesas para passar roupas, churrasqueiras a carvão e elétricas, baldes e bacias, ferragens e ferramentas para os setores da construção civil e agrícola, carrinhos para aterros, cavadeiras, pás, rodas e rodízios. A empresa desenvolveu “know- how” próprio e mantinha liderança no território nacional, sendo fornecedora dos principais supermercados, magazines, cooperativas, indústrias e lojas de ferragens. Na época chegou a exportar seus produtos para vários países.

Em 1978, as instalações citadas mostravam-se insuficientes com relação ao crescimento da empresa. Inviável nesta altura a compra de mais terrenos no Tatuapé. Para nova expansão foi adquirido um terreno de 175 mil m2 no bairro de Itaquera e imediatamente construídos 20 mil m2  entre escritórios e galpões. Em 1982 eram instaladas novas máquinas e novos equipamentos. Uma prensa de 400 toneladas possibilitava triplicar a produção. A esta altura, passava de 300 para 600 o número de funcionários.

Segundo depoimento de Flávio, vários fatores contribuíaram para que os negócios de sua empresa se inviabilizassem: “a partir de 1986, em face da crise internacional e do fracasso do plano econômico do governo (Plano Funaro), começa complicar-se a situação. A inflação voltou a deslanchar, os juros bancários atingiram patamares absurdos e a especulação voltou a tomar conta da economia. A entrada do novo governo em 1990 e seu plano econômico (Plano Collor) agravou ainda mais a situação. Para complicar de vez as coisas, aquele governo abriu a economia sem tomar as devidas precauções, resultando na invasão do nosso mercado por produtos asiáticos com seus preços aviltados, o que ocasionou o fechamento de indústrias nacionais. Em 1999, após 50 anos de trabalho, tivemos que fechar as portas.”

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