Escolas que marcaram época

Escolas que marcaram época

É importante relembrar as escolas que se instalaram no Tatuapé e hoje não atuam mais. Cada tatuapeense tem lembranças dessas escolas, de seus diretores, de seus professores e de colegas que com eles participaram da epopéia da educação na região.

Como esquecer do Ginásio Fernão Dias, instalado na Avenida Celso Garcia, esquina com a Rua Maria Eugênia, onde hoje funciona uma agência do Banespa. O Fernão Dias ministrava o curso ginasial, comercial básico e o técnico em contabilidade, além de um curso de datilografia. Impossível esquecer seu enérgico diretor, o professor Tito de Faria.

Para os saudosistas lembramos da existência da Escola Técnica de Comércio Duarte de Barros. Quantos tatua­peenses ilustres passaram pelos bancos daquela tradicional escola. Localizava-se na Avenida Celso Garcia, nas proximidades do riacho Tatuapé, atualmente canalizado e sob o asfalto da Avenida Salim Farah Maluf.

O Colégio Excelsior, cujos proprietários, alguns deles, compuseram a primeira diretoria da Associação de Ensino Superior Paulistana – AESP, que viria a ser o embrião da atual Unicid, que ficava na Rua Cesário Galeno, justamente no local onde se instalaram as Faculdades da Zona Leste.

O Externato São Paulo – Brasil, de propriedade da professora Maria Eugênia Ortiz posteriormente foi vendido ao doutor Corinto Balduino e sua esposa. Essa escola  ficava na Avenida Celso Garcia, em prédio de dois andares, ainda existente, quase na esquina da Rua São Felipe, defronte da Rua Vilela.

A Associação Feminina Beneficente e Instrutiva do Estado de São Paulo, conhecida como Lar Anália Franco, foi fundada em 17 de novembro de 1901, pela professora e educadora Anália Franco e por senhoras da sociedade paulista. O objetivo da entidade era dar amparo à crianças órfãs, mães solteiras e jovens abandonadas. Após ter se estabelecido em vários pontos do centro de São Paulo, necessitando de mais espaço, as responsáveis voltam os seus olhos para o distante Tatuapé. Do coronel Serafim Leme da Silva compram, em 1911, a Chácara Paraíso, que pertencera no século anterior ao padre Diogo Antonio Feijó. Instalam-se no local, dando-lhe o nome de Colônia Regeneradora Romualdo Seixas. A Chácara Paraíso, que media 75 alqueires, na qual ainda existia a famosa Mata Paula Souza, era um pedaço da antiga Fazenda Capão Grande, de Francisco Velho.

Internas do Lar Anália Franco em aula de corte e costura na década de 30

Internas do Lar Anália Franco em aula de corte e costura na década de 30

Em 1911, a entidade ocupou o velho solar que pertencera ao Regente Feijó. As duas alas laterais do prédio assobradado foram reformadas e readaptadas para alojar mais de 400 abrigados. De 1930 a 1934, a partir de um belíssimo projeto do arquiteto Ramos de Azevedo, foi construído um novo prédio, cerca de 100 metros à frente do velho casarão, situado na parte mais nobre da chácara, sobre a colina que dava frente para a atual Avenida Regente Feijó.

A partir de 1934, o Lar Anália Franco passou a ocupar novo prédio

A partir de 1934, o Lar Anália Franco passou a ocupar novo prédio

Além do ensinamento das matérias escolares, no Lar Anália Franco desenvolveram-se oficinas diversas: corte e costura, bordados, fabricação de flores e uma tipografia, na qual imprimiam revistas e folhetos. Foram criados também cursos de enfermagem e de arte dentária, orientados pelas doutoras Maria Renotte e Brites Alvares, respectivamente. Formaram-se uma banda musical feminina e um grupo de teatro que se apresentou em diversas cidades do interior de São Paulo e em outros Estados.

Anália Emília Franco nasceu em Resende, Rio de Janeiro, em 1º de fevereiro de 1853. Filha de Antonio Mariano Franco Junior e de Teresa Franco, Anália teve dois irmãos: Antonio Mariano Franco e Ambrosina Franco de Salles. Em 1906, já com 53 anos, casou-se com Francisco Antonio Bastos, que era o contador da entidade. Faleceu em 20 de janeiro de 1919, vítima de gripe espanhola.

Educandário São Paulo
Outra sociedade assistencial e educativa que desde muito cedo se instalou no Tatuapé foi o Instituto das Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor. Essa entidade teve sua origem em 1º de junho de 1864 em Campozuelos, um povoado de Madri, na Espanha. Seus fundadores foram a senhorita Maria de Oviedo e o padre Serra – bispo de Daulia. Em pouco tempo outras pessoas seguiam os passos de ambos, instalando casas semelhantes em outras regiões da Espanha e noutros países. Em 1936, instalou-se no Tatuapé em terreno pertencente à abastada família Gebara, situado na confluência das atuais ruas Francisco Marengo e Pedreira de Freitas. A propriedade possuía uma portentosa mansão, horta e pomar. Desde sua fundação naquele local, a casa assistencial e de ensino adotou o nome de Educandário São Paulo. Para os objetivos da entidade: recuperação de jovens de famílias desajustadas, mães solteiras e meninas procedentes do juizado de menores, o prédio e o enorme terreno se adequavam perfeitamente. Na década de 90, em face das repetidas alterações na legislação, o Educandário São Paulo, hoje Casa de Encontros e Retiro das Irmãs Oblatas, passou a usar suas instalações somente  para retiro, encontro de casais e assembléias. Foram suas fundadoras em São Paulo as madres Escolástica Ribas e Maria Tereza Martorelli.

O Educandário São Paulo foi fundado em 1936, somente para a educação das mulheres

O Educandário São Paulo foi fundado em 1936, somente para a educação das mulheres

Colégio Comercial Jasy
Como Escola Jasy de Datilografia, em 1959 iniciava suas atividades essa  casa de ensino. Sua primeira localização foi na Rua Antonio de Barros, 1.276. O empreendimento era uma idealização dos irmãos Antonio e Braz Jaime Romano. Dois anos depois, em face de rápido desenvolvimento e da necessidade de maior espaço, a escola mudou-se para o prédio número 1.367 da mesma rua. No novo endereço, passou a desenvolver o curso de admissão e prática de comércio.

Os professores  do ”Jasy”, Carlos Alberto Cerboncine (em pé, de avental) e Antonio Romano (sentado, à direita), com seus alunos, em 1970

Os professores do ”Jasy”, Carlos Alberto Cerboncine (em pé, de avental) e Antonio Romano (sentado, à direita), com seus alunos, em 1970

Em 1964, nova mudança. Desta vez para sede própria à Rua Serra de Botucatu, 1.642. Também foi alterado o nome da entidade, que passou a chamar-se Ginásio Comercial Jasy. Com as modificações introduziu-se o Curso Ginasial de Comércio, mantendo-se o de datilografia. Dois anos após, com a inclusão dos cursos de técnico em contabilidade e o ginasial, a escola passava a denominar-se Colégio Comercial Jasy.

O Jasy foi um dos primeiros colégios da região a lançar o curso supletivo de 1º e 2º grau. Também fizeram parte do seu programa de ensino os cursos de técnico em administração e secretariado. Chegou a ter 18 salas de aula, nas quais atendia alunos nos períodos matutino e noturno. Possuía também laboratório de ciências e biologia, biblioteca e sala de escritório modelo, esta com seus respectivos computadores. Em sua melhor fase, chegou a atender 800 alunos.

O Jasy era mantido pelas Instituições Romano de Ensino, que ao longo de suas atividades jamais deixou de cumprir seus compromissos com o pessoal que integrava seu quadro docente, seus alunos e seus fornecedores. O Colégio deu muito de si e representou importante passo no desenvolvimento da Educação do Tatuapé e Zona Leste. Em 1994, encerrou suas atividades, sendo até hoje lembrado com carinho pelos professores e alunos que fizeram parte integrante dos seus 36 anos de existência.

Colégio Visconde de Cairu
Em 1954, os irmãos Pedro e João Gaidargi, filhos de imigrantes russos, decidem fundar uma escola no Tatuapé. O momento estava tumultuado pelo recente suicídio do então presidente Getúlio Vargas. A escola começou a funcionar em princípios de 1955, em casa alugada na Rua Bonsucesso, 947. Pouco tempo depois passou para a Rua Padre Adelino, 941. Iniciaram com os cursos de Ginásio Comercial e Técnico de Contabilidade, pois o mercado em expansão carecia de jovens nessas especialidades. Em face disso, o Colégio Cairu teve um crescimento extraordinário em curto tempo.

Em 1971, João Gaidargi ganhou uma bolsa para estudar em Turim, na Itália. Mesmo com escassos recursos, para lá viajou. Nas folgas visitou Barcelona, Madri, Berna, Genebra e outras capitais. Deu-se conta de inúmeras inovações e resolveu colocá-las em prática ao voltar.

Em 1972, auxiliados por inúmeros amigos e até por pais de alunos, compram um terreno na Rua Uriel Gaspar e nele constroem sua sede própria. No moderno edifício de quatro andares, instalaram 25 salas de aula, laboratórios, biblioteca, lanchonete, quadras esportivas e um excelente auditório. Chega a ter 1.500 alunos em sua melhor fase (entre 1978 e 1980).

Em 1974, João recebe o título de Professor do Ano e é agraciado com a Medalha Anchieta. Dos professores que fizeram parte de seu corpo docente, João lembra-se, entre outros, do doutor Álvaro Silva, que ministrava aulas de direito e de moral e civismo, e de José Lhamas Moreno, este de geografia e estudos sociais. Lembra-se também de dois alunos famosos: Alcides Tapias, ministro do governo federal, e Ronaldo, goleiro do Corinthians.

Em 2003, resultante de vários fatores, inclusive a morte de Pedro, João Gaidargi deu encerramento às atividades do Colégio Visconde de Cairu.

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