Educação financeira nas escolas

Sr. redator:
“Educação é a base para formar uma sociedade mais consciente e sustentável. E a educação financeira é um assunto de extrema importância para se alcançar esse objetivo. Então, quem melhor do que os professores para transmitir esse conhecimento e atingir diversos públicos de uma só vez?

Entendo que o ambiente escolar seja o mais propício para esse tipo de atividade, uma vez que a conversa envolve alunos, corpo docente, funcionários, pais e toda a comunidade. Tudo se inicia pelos educadores, que são capacitados, ou seja, fizeram um curso sobre o assunto.

Afinal de contas, não há como se ensinar algo que não se aprendeu. Como o processo é comportamental, os professores passam a entender que é preciso uma mudança de hábitos e costumes em relação às finanças pessoais, conseguida a partir de quatro passos: diagnosticar, sonhar, orçar e poupar.

O primeiro se baseia na ideia de que é preciso saber exatamente quanto se ganha e para onde vai cada centavo do seu dinheiro, fazendo um diagnóstico financeiro. A pessoa passa a anotar todas as despesas, separando-as por tipo (restaurante, combustível, guloseima), até mesmo os pequenos valores, como gorjetas e cafezinhos.

Tendo esses números em mãos, é possível ir para o segundo passo, ou seja, ter sonhos, no mínimo três – um de curto (até um ano), um de médio (de um a dez anos) e outro de longo prazo (acima de dez anos) –, sabendo quanto custam e quanto poderá poupar mensalmente para cada um, para descobrir em quanto tempo conseguirá realizá-los.

É essencial ter esse planejamento, para que o resultado do processo da educação financeira seja o esperado. Dessa forma, a pessoa já está pronta para o terceiro passo, que é realizar um novo tipo de orçamento (e não aquele que a maioria está acostumada): em vez de fazer ganhos (-) gastos = lucro ou prejuízo, a proposta é fazer ganhos (-) sonhos (-) gastos. Dessa forma, os sonhos são priorizados – garantindo mais realizações de vida – e os gastos serão adequados ao que sobrar, evitando viver fora do padrão de vida.

Para fechar o ciclo, é preciso, então, seguir o quarto e último passo: poupar. A partir do momento que aprendem e passam a aplicar no seu dia a dia, vendo na prática as melhorias que esse novo comportamento traz, começam a perceber que, na grande parte das vezes, com planejamento, é possível viver melhor e ter mais realizações com o salário que se ganha, basta saber administrar e utilizar melhor o dinheiro que se ganha.

Com tantos benefícios na própria vida, o professor consegue passar a ideia aos alunos, que, já no ensino infantil até o médio, aprendem a importância de se priorizar os sonhos ao invés das despesas, anotar os gastos diários, saber qual o valor desses sonhos, quanto conseguirão guardar por mês e, claro, como poupar para realizá-los.

Tudo isso, por meio de material didático e paradidático, games e atividades desenvolvidas especialmente para cada faixa etária, levando em conta a realidade dos estudantes, para que a absorção do conhecimento seja feita de forma mais eficaz e eficiente. As crianças e jovens que estão tendo essa oportunidade de aprender a lidar com o dinheiro, saberão administrar melhor a mesada e os primeiros salários.

Com estudantes e professores educados financeiramente, sem dúvida nenhuma, as famílias deles também estarão em contato com o tema, aplicando em suas vidas, e elas, por sua vez, darão o exemplo aos seus amigos e familiares, disseminando o conhecimento. Assim, fica muito mais fácil e natural formar uma nova geração de consumidores conscientes, mudando o cenário de endividamento e inadimplência.”

Reinaldo Domingos

Deixe um comentário

*