Copa, dengue e falta d’ água

Apesar de o governo ter afirmado que teremos água até o fim do ano, a maioria das pessoas pensa de que maneira isso irá acontecer: com rodízio, mau cheiro e algum tipo de contaminação, ninguém sabe. Sabemos que um documento da Sabesp comprova a diminuição na pressão da água, mesmo sem avisar a população.

A crise é grave para quem se preocupa, pois tem gente que continua varrendo a calçada com água, enquanto outros controlam o banho, captam água da máquina de lavar, entre outras manobras para economizar.

Continuamos esperando atitudes enquanto não chove e o nível do Sistema Cantareira segue caindo. De onde o Estado pretende trazer água para abastecer cerca de 8 milhões de pessoas ainda não se sabe. A única certeza que temos é a de que a corda vai estourar para o nosso lado.

Se a nossa situação será problemática nos próximos meses, com menos água, a Copa vem aí. Ou seja, mais de 70 mil turistas por dia na cidade, como o próprio comitê organizador espera, com dificuldade para tomar banho, usar banheiros e lavar a própria roupa.

Prefeitura, Estado e governo federal divulgam o lado festivo, enquanto nosso transporte público vai de mal a pior, os hospitais não suportam mais a demanda de pacientes e as companhias áreas pedem para os passageiros chegarem cada vez mais cedo nos aeroportos. As filas são intermináveis e a probabilidade de ficar pior é bem grande.

Enquanto isso, nossa cota de gastos já ultrapassou a realidade plausível há muito tempo. Vejam a Arena Corinthians, por exemplo. Lá já foram investidos R$ 950 milhões, pelo que sabemos. Mesmo assim, pronto mesmo o estádio só vai ficar no fim do ano. Parece estranho, mas o momento é tão desalentador que não se nota aquela euforia das pessoas em querer pintar as ruas e pendurar bandeiras.

Também não há como esquecer o surto de dengue em diversas cidades do Brasil, inclusive em São Paulo, palco do jogo de abertura da Copa. O prefeito Fernando Haddad alardeia que está tudo sob controle, porém, o número de doentes só aumenta.

Quem tem plano de saúde ainda consegue fazer o exame que detecta o problema, mas e quem depende do serviço público?

Não é a toa que vários protestos estão sendo programados para os dias de jogos do Mundial. Investimos bilhões no futebol e esquecemos do básico. Só não vê quem é cego. Nos falta saneamento, educação, segurança, entre outros direitos. No entanto, querem nos impor o circo da Copa. Para quem está na televisão ganhando milhões com publicidade é fácil. Agora, a maioria dos pobres mortais, que rala todos os dias para receber seu salário, não pode se dar ao luxo de gastar nem um tostão a mais.

O quadro que surge à nossa frente é triste, pois nem falamos em eleições e no escândalo da Petrobras. Sem contar a CPI do mensalão mineiro que provavelmente logo deverá vir à tona. É uma vergonha ver a história do País ser contada assim para o resto do mundo. Aliás, não é a toa que um jornalista dinamarquês enviado para fazer a cobertura da Copa no Brasil acabou voltando para o seu país quando se deparou com a realidade de Fortaleza, a cidade mais violenta do Brasil.

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