Copa chegou. E o Brasil, como vai?

No dia 12, começa a “Copa das Copas”, pelo menos para a presidente Dilma. A Arena Corinthians, palco de abertura da festa, ainda passa por alguns remendos, enquanto aguarda pelo alvará de liberação do Corpo de Bombeiros. O bom é que ainda temos bastante tempo.

O estádio recebeu vários tipos de testes. Com crianças, torcida, imprensa e todo o “staff” da SPCopa e da Fifa. Mesmo assim, ainda paira uma desconfiança, principalmente sobre as arquibancadas provisórias, que até agora não foram preenchidas por completo. Dizem que o brasileiro gosta de deixar tudo para a última hora. Será verdade mesmo?

Do lado de fora, a confusão ainda persiste. Seja para quem quer entrar no estádio, mesmo com o ingresso na mão, ou para quem quer ir de carro ao local. Até os moradores de Itaquera têm dificuldade para chegar em casa. Isso porque a barreira de segurança formada pela PM faz a pessoa seguir por um caminho certamente congestionado. Uma coisa é certa para quem tem imóvel perto da Arena: no dia do primeiro jogo não saia.

Enquanto isso, a Copa continua gerando o combustível para as manifestações e paralisações de funcionários públicos, do transporte, da saúde e de outras áreas, por todo o País. Só em São Paulo, nos últimos dias, estavam nas ruas protestando os metroviários, professores, policiais militares e, vejam só, até moradores de rua se manifestaram, pois não queriam deixar os baixos do Viaduto Alcântara Machado.

Pelo visto, as reivindicações irão continuar durante todo o Mundial, seja contra os gastos excessivos da Copa, pelo fim da corrupção, pedindo mais moradias, entre outros pedidos. Afinal, o mundo está de olho em nós. Aliás, os estrangeiros seguem tão atentos ao Brasil, que os jornais e revistas da Argentina, Inglaterra, Estados Unidos, França e Alemanha, por exemplo, estão criticando os atrasos nas obras, a falta de infraestrutura no entorno dos estádios, os preços absurdos em restaurantes e a deficiência na área de informações ao turista.

O Brasil é o País do Futebol, mas em matéria de organização e planejamento estamos engatinhando. Isso porque tivemos sete anos para mostrar ao mundo que éramos capazes. Por incrível que pareça, até o entusiasmo do brasileiro está em baixa. Não se veem casas enfeitadas, ruas pintadas e carros com bandeiras. E não é por falta de propaganda, pois sofremos um verdadeiro bombardeio diante da televisão.

A questão é mais profunda e a maioria da população está cansada de tanto descaso. Mesmo aqueles que conseguem separar o futebol da política, e vão torcer pela seleção, não deixarão de ter a consciência da realidade dos fatos.

Inclusive, é melhor que seja assim, pois basta uma distração para os “mensaleiros” tentarem amenizar suas penas, os envolvidos nos casos de corrupção da Petrobras e da Alstom esconderem provas e os congressistas deixarem de votar projetos importantes.

Estamos numa democracia, pelo menos na teoria. Portanto, devemos respeitá-la para sermos respeitados, defendendo nossos direitos e tendo a ciência de nossos deveres. Caminhando nesse sentido, saberemos usá-la em nosso favor. Até porque a população terá de ser ouvida de qualquer maneira, seja de modo cordial ou pela força dos movimentos. Só assim o País irá se reerguer novamente, não esquecendo a voz do povo. Aliás, que sirva de recado para a presidente Dilma, pois caso ela tenha coragem de ir à Arena Corinthians, na abertura da Copa, que tenha a hombridade de ouvir as vaias e entendê-las.

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