Conseguir estacionar no Tatuapé é uma arte

Conseguir estacionar no Tatuapé é uma arte

Uma das maiores dificuldades para o motorista que circula pelo Tatuapé é conseguir encontrar um lugar para estacionar. Apesar de muitas ruas já possuírem vagas de Zona Azul, há pessoas que ocupam os espaços rotativos por todo o dia fazendo a troca dos cartões. Além disso, quando não há o sistema alternativo ou placas que proíbam o veículo de parar na via, comerciantes e os próprios moradores da região acabam se utilizando da rua como estacionamento particular. Ou seja, param pela manhã e só tiram o veículo à noite.

ABUSOS
Por conta dessa deficiência, entre outras já existentes, como o trânsito caótico, falta de fiscalização e de semáforos inteligentes, muitas pessoas apostam na criação de bolsões de estacionamento por parte da Prefeitura, aos moldes dos oferecidos em algumas estações do Metrô. Para o professor Álvaro de Carvalho, por exemplo, às vezes fica difícil até privilegiar o comércio de rua por conta disso. Segundo ele, como os motoristas que cometem abusos não são multados, privilegia-se a irregularidade.

SECRETÁRIO
Para tratar deste tema, esta Gazeta entrevistou o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, acerca de propostas para a solução da falta de vagas de estacionamento ou mesmo do investimento em bolsões. Segundo ele, a Prefeitura está tendo dificuldades em encontrar terrenos ou áreas públicas para este tipo de serviço. “A princípio pensamos na liberação de garagens para os frequentadores do Mercado Municipal, da Praça Roosevelt e do Parque Dom Pedro II”, adiantou Tatto.

CONCESSÃO
Com relação a outros locais da cidade e da Zona Leste, como o Tatuapé, o secretário afirmou que existe a intenção de se investir em garagens subterrâneas pelo sistema de concessão nos terminais de ônibus. Da mesma forma, Tatto revelou querer criar mais bicicletários na cidade, integrando os meios de transporte. “Os proprietários dos terrenos que fizerem parceria com a Prefeitura receberão benefícios”, concluiu.

“FLANELINHAS”
Enquanto a situação não se define, “flanelinhas” e serviços de valet se espalham pelo Tatuapé, principalmente à noite e nos fins de semana. Em ruas com grandes concentrações de bares os guardadores de carro chegam cedo e começam a lotear o espaço público. Apesar de parte ter sido cadastrada no 30º DP, outros aproveitam a oportunidade momentânea e não voltam ao mesmo local.  A preocupação maior dos clientes destes estabelecimentos é de que o veículo seja amassado ou riscado. Com isso, acabam pagando por algo sem garantia.

Flanelinha - Carol

De acordo com a PM, esse tipo de atitude só eleva os índices de furtos de carros no bairro, pois muitos dos que se dizem “flanelinhas” são, na verdade, “olheiros” dos bandidos e apontam os veículos mais fáceis de serem levados.

VALETS
No caso dos valets a situação é diferente, porém não menos preocupante. Isso porque os clientes de alguns restaurantes, bares e buffets chegam a pagar R$ 20,00 pelo serviço e sequer sabem para onde seus veículos estão sendo levados. Muitas vezes os carros mais novos são guardados em áreas demarcadas ou cobertas, enquanto os modelos antigos ficam na rua. Quando a questão se volta ao atendimento oferecido pelos manobristas, parte das empresas também fica na berlinda, pois, para muitas pessoas, ainda há problemas nessa área. O contador Alberto da Paixão, por exemplo, ao sair de uma festa viu que seu carro havia sido estacionado sobre uma calçada. Na hora não falou nada, porém pensou no desgaste desnecessário da suspensão e dos amortecedores na hora do funcionário subir e descer do passeio. “Um deslize que poderia ter sido evitado”, completou.

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