Compreender os filhos: desafio

Sr. redator:
“Em um momento em que muito se discute a inversão de valores na sociedade, a família é tida como o pilar que vai sustentar as soluções sociais e culturais para a formação de jovens e adolescentes.  O papel dos pais é importante pelo fato de serem usualmente os primeiros parâmetros da socialização. Mas como agir ao se deparar com as diferenças entre os filhos? O que fazer para colaborar com a transmissão dos valores de cada um? Os pais tentam amar os filhos com a mesma intensidade e tratá-los da mesma maneira, mas eles não são iguais na forma como se comportam.

Os filhos são um depositário das expectativas dos pais. Quando esses filhos são muito diferentes daquilo que os pais esperavam, despertam sentimentos antagônicos. Muitas vezes tentar lidar com essas diferenças significa transitar por sentimentos de culpa, tristeza, vergonha, luto e frustração e algumas vezes alegria, solidariedade e esperança. Compreender e respeitar as diferenças humanas talvez seja um bom exercício para lidar com as peculiaridades entre os filhos.

Como consequência, vêm as facilidades de tratamento, educação, comunicação e limites distintos.

Tudo está dentro de um contexto. A formação da personalidade do indivíduo é um processo gradual, complexo e particular, que compreende o pensar, o agir e o sentir. Durante este processo, os fatores biopsicossociais colaboram para a formação das características dos seres humanos. Geralmente, os pais tentam passar os princípios e regras de maneira idêntica para todos os filhos. E se esquecem que cada filho é único e tende a interpretar o que os pais falam de formas diferentes, o que pode gerar conflitos.

Além do respeito às diferenças, a colocação de limites é outra grande preocupação na educação dos filhos, sobretudo no contexto do mundo imediatista e consumista em que vivemos. Essa dificuldade é apoiada no pensamento parental de que os filhos não podem sofrer e que todas as suas necessidades serão supridas. Além disso, os filhos terão tudo o que faltou a seus pais. A ausência de limites gera uma falsa sensação de que podemos e conseguiremos tudo, o que na vida futura leva a uma incapacidade de lidar com as frustrações e com o sofrimento.

Outro ponto determinante na criação dos filhos está relacionado à educação sexual. Neste caso, os pais devem primeiramente indagar: ‘o que faz meu filho feliz’ e ‘o que ele precisa para se realizar’? Se os pais não obtiverem as respostas de que precisam, o passo seguinte seria o questionamento aos filhos. Talvez essas respostas ajudem a entender, compreender, respeitar e apoiar as decisões de cada um.”

Márcio Belo

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