Ciclovias às pressas

Sr. redator:
“Os 400 km de ciclovias prometidos pelo prefeito Fernando Haddad até o final de sua gestão, em 2015, são um ganho para a cidade de São Paulo.

No entanto, questiono se a implementação dessas vias exclusivas para bicicletas é precedida por um estudo elaborado capaz de mensurar os impactos no trânsito, no comércio e na vida das pessoas dos bairros contemplados.

Eu participei da reunião do Confema (Conselho do Fundo Especial do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável), que aprovou a liberação de R$ 10 milhões para a construção das ciclovias. Na ocasião, a ideia era que as novas vias exclusivas interligassem as ciclovias construídas junto aos novos empreendimentos viários da cidade, como corredores de ônibus, novas avenidas ou mesmo o monotrilho.

No entanto, o que vejo é que muitas vias estão sendo construídas às pressas, sem aviso prévio aos moradores e comerciantes das regiões contempladas, que acordam pela manhã com uma via vermelha pintada na frente da sua casa ou do seu comércio. A medida, ao que parece, serve para evitar eventuais polêmicas e protestos das pessoas afetadas, que poderiam não gostar da ideia de perder uma vaga de estacionamento diante de casa ou de sua loja. Além do mais, ainda não vejo interligação entre as ciclovias e diferentes modais de transporte, trazendo a sensação de que as vias estão sendo criadas a esmo.

O velho adágio diz que ‘a pressa é inimiga da perfeição’, e a velocidade com que as ciclovias estão sendo demarcadas é uma prova disso. Em uma das novas vias, na região do Paraíso, há um buraco enorme sobre o qual há uma bicicleta pintada, tornando a via uma armadilha ao ciclista que deveria estar pedalando com segurança.

A pressa também impede que um projeto mais amplo seja implementado. Por exemplo, se hoje o ciclista tem vias para pedalar, ainda lhe faltam locais de estacionamento para sua bicicleta. Se fosse pensado com mais esmero, o projeto paulistano poderia prever também a construção de bicicletários, como o recém-erguido na Avenida Faria Lima.”

Alessandro Azzoni

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