BRAZ JAIME ROMANO – O pioneiro do jornalismo do Tatuapé

BRAZ JAIME ROMANO – O pioneiro do jornalismo do Tatuapé

Em 5 de abril de 2008, falecia Braz Jaime Romano, o pioneiro do jornalismo do Tatuapé.  Ao dizer pioneiro, digo-o com todas as letras e sem a menor dúvida. Até os dias atuais, as nossas autoridades não se deram conta do extraordinário trabalho desenvolvido por ele em prol da Zona Leste, região sempre tão esquecida antes dele.  Para que os leitores tenham uma ideia de quem foi e o que representou Braz Jaime Romano para o Tatuapé e região, dou a seguir um resumido relato de seu profícuo labor. Em 1974, em meio às suas tarefas de professor e diretor do Colégio Comercial Jasy, Romano dirigia o jornal “O Tatuapé”, órgão da Sociedade Amigos do Tatuapé. Nesse mesmo ano, adquire o pequeno semanário e mantém sua denominação original até seu número 43 (27/4/1975). A seguir, após lhe dar formato e diagramação correspondentes a um órgão de imprensa profissional, alterou o nome para Gazeta do Tatuapé. Surgia assim, um dos principais jornais do Tatuapé e da vasta Zona Leste.

INFLUÊNCIA E PARTICIPAÇÃO INTENSA
Com sua nova configuração e sob a batuta de seu dinâmico proprietário, a Gazeta do Tatuapé passou a acompanhar o espetacular desenvolvimento do bairro. No entanto, empregar o verbo acompanhar é pouco, pois por meio de seu jornal, Romano não se limitou apenas a divulgar os fatos que aqui ocorriam, mas passou a influir e a participar intensamente de seu desenvolvimento. Seu semanário se tornou o porta-voz das incontáveis reivindicações em prol de melhorias para o bairro. Combateu inverdades a respeito do Tatuapé, tais como a que afirmava que o Tatuapé era o bairro mais poluído de São Paulo. Abriu suas páginas a favor da correção da data de sua fundação, que permanecera errada durante dez anos. Incentivou a luta contra a anexação do Jardim Anália Franco à Vila Formosa e Água Rasa. Fato resultante do novo plano de zoneamento do município conforme lei promulgada pela prefeita Luiza Erundina em 1992. Por desinteresse dos tatuapeenses, essa luta infelizmente foi perdida.

QUERIDO TATUAPÉ
Avesso a elogios e agraciações de qualquer espécie, Romano dificilmente aparecia nas fotografias dos inúmeros eventos divulgados por seu jornal. Seu habitat natural era sua pequena sala do jornal. Nela, entre centenas de papeis espalhados sobre a mesa, sua cabeça fervilhava em busca de ações que elevassem às alturas seu querido Tatuapé.

Durante 15 anos, sempre no mês de outubro, Romano publicou os anuários comemorativos de aniversário do bairro. No citado mês, o anuário da Gazeta chegava às bancas e aos lares tatuapeenses. Traziam em seu conteúdo preciosas informações: como se dera o início da exploração das suas terras por Braz Cubas e pelo Padre Matheus Nunes de Siqueira, este considerado seu fundador. Além destes, a passagem pela região do Padre Diogo Feijó, do Conselheiro Carrão, da educadora Anália Franco, da Família Marengo e muitos outros. Através de minuciosas pesquisas incentivadas e financiadas por ele, o anuário expunha importantes temas históricos sobre as três fases de desenvolvimento da região: a agrícola, a industrial e a atual, de comércio e serviços, tendo o setor imobiliário como o mais dinâmico.  Atualmente, os anuários fazem parte do acervo do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e muitas de suas matérias constam de inúmeros textos de livros históricos e de seus sumários bibliográficos.

INCANSÁVEL BATALHADOR
Graças aos anuários, o Tatuapé é um dos bairros mais bem documentados de São Paulo.

Em 15 de agosto de 1982, o incansável batalhador enriquecia a região com um novo semanário: Gazeta da Zona Leste, cuja área de abrangência passou a incluir: Mooca, Vila Formosa, Carrão, Belenzinho e inúmeras vilas adjacentes.

Sempre ouvi dizer, com relação à sua História, que o brasileiro não tem memória. Poderíamos, a partir deste momento, começar a mudar essa tendência, passando a prestigiá-la e a enaltecer homens merecedores da nossa eterna gratidão. Braz Jaime Romano foi um desses homens; lutou, como poucos, pelo nosso querido Tatuapé.

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