‘Bike Sampa chega, mas não agrada’ Leitor comenta

Sr. redator:
“Na sua última edição impressa, a Gazeta do Tatuapé publicou matéria sobre a chegada do projeto ‘Bike Sampa’ ao bairro, marcado pela implantação de novas estações espalhadas pela região. Segundo as informações do jornal, ‘os moradores’ das áreas onde estão sendo instaladas as estações sentem-se incomodados com a presença das novas estruturas, uma vez que os novos equipamentos exigem a retirada de vagas de estacionamento de carros, já concorridas na região, mesmo enquanto há espaço livre para posicionar as estações nas praças.

Acreditamos que, da forma como foi escrito, o texto publicado não aborda o tema da mobilidade urbana com o mínimo de elementos necessários para contribuir à formação de opinião. Mesmo que algumas pessoas não gostem das novidades trazidas pelo ‘Bike Sampa’, não se pode assumir que o remanejamento das estações de aluguel seja uma óbvia, única alternativa para melhorar a já difícil relação entre carros e bicicletas.

Ao contrário, as estações não podem ser relegadas a ocupar o espaço das já escassas praças e parques, somente para preservar vagas para carros na rua. O espaço no qual os veículos permanecem estacionados é público e, como o tal, deveria ser utilizado de forma democrática por todos os cidadãos, incluindo aqueles que não possuem carros.

Também é preciso notar que, como essas áreas sempre estiveram ocupadas, não há como as estações prejudicarem o trânsito dos veículos, caótico por natureza e dificultado pelos próprios carros estacionados ao meio-fio. Além disso, se algumas vagas de garagem serão perdidas em prol das bicicletas, esse número é inexpressivo diante das vagas que ainda restam. De todo modo, não se pode esperar que estacionar o carro na rua fique mais fácil em São Paulo, com um crescente número de veículos nas ruas e cada vez mais necessidade de remanejamento dos espaços públicos para atender às diversas formas de locomoção. Essa é uma tendência global nas grandes cidades, ponto de partida sobre o qual cabe a nós discutir políticas de mobilidade que garantam funcionalidade e tornem o local onde vivemos aprazível.

Novas oportunidades de melhorar a cidade surgem todos os dias. Se não estamos contentes com a situação da mobilidade em São Paulo e no Tatuapé, precisamos admitir mudanças bem fundamentadas e intencionadas como as trazidas pelo ‘Bike Sampa’. Ainda que, num primeiro momento, algumas pessoas sintam-se apreensivas, é certo que os benefícios trazidos pelas bicicletas, como a redução do tráfego de veículos e a melhora na qualidade do ar, serão usufruídos por todos. Com base nisso, achamos que essa questão merecia ser melhor discutida pela Gazeta, tendo em vista seu valor para qualificar o espaço público e melhorar – muito – o bem-estar coletivo.”

Marcel Branco

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